19/03/2008 - 00h01 Iraque: Guerra desmoralizou a política externa dos EUA, diz Alencastro
Da Redação
160 mil soldados americanos, quase quatro mil mortos em combate. Esse é o número de homens que os Estados Unidos mantêm na guerra do Iraque. Há cinco anos, 40 países solidários à guerra enviaram tropas ao território árabe. Hoje apenas metade deles tem soldados lá. Da Europa, Reino Unido, Polônia e Romênia são os que ainda - e mais - ajudam os Estados Unidos, além de Letônia, Albânia, República Tcheca, Lituânia, Armênia, Bósnia-Herzegovina, Estônia e Macedônia, em menor escala de participação. De Paris, Luiz Felipe de Alencastro conta que o sentimento na Europa é de repúdio.
"Houve manifestações em Londres e isso está diretamente ligado ao declínio do prestígio e à saída do primeiro-ministro Tony Blair, que foi quem colocou a Inglaterra na guerra", diz o historiador. "Gordon Brown está achando um jeito de retirar o contingente inglês do Iraque", afirma Alencastro, sobre o novo primeiro-ministro britânico.
Com a ajuda de soldados americanos, moradores derrubam estátua de Saddam Hussein, na praça central de Bagdá, em 9 de abril de 2003; invasão das tropas ao país chega ao seu quinto ano longe de um final
O colunista do UOL coloca que a guerra tomou proporções muito mais graves do que o que os homens que começaram a ofensiva haviam imaginado. "Criou-se no Iraque um tal redemoinho de tensões que hoje fica muito difícil de sair de lá", avalia o historiador. "A saída das tropas pode levar a uma guerra civil de grandes proporções", diz Alencastro, que ainda destaca a diferença do conflito no Afeganistão. "Lá houve uma decisão do Conselho de Segurança da ONU, que aprovou a guerra. Já a do Iraque foi feita apesar do voto negativo."
Com a não comprovação de que o Iraque tinha ligação com a Al Qaeda, além de possuir armas químicas, motivos pelos quais os Estados Unidos justificaram a invasão, o historiador conclui o balanço de 5 anos de guerra. "Desmoralizou o governo americano, foi um golpe terrível na popularidade de Bush", analisa. "Também custou os postos do espanhol Aznar e do britânico Blair. A guerra continua subjacente à pré-campanha eleitoral nos EUA, um problema embaraçoso para os candidatos."
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