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19/03/2008 - 00h05
Em 2009, um novo presidente e a mesma guerra
Bob Deans Cox Newspapers
Em Washington
Cinco anos após o presidente Bush lançar a guerra no Iraque, os três principais candidatos que buscam substituí-lo apresentam pontos de vista diferentes em relação ao futuro do conflito.
Mas as realidades intricadas da guerra cara e complexa e a importância estratégica da região apresentarão problemas para todas as três posições, disseram analistas.
- O republicano John McCain disse que permaneceria no curso, mantendo uma presença de tropas americanas a longo prazo com uma missão de combate robusta voltada a derrotar os grupos terroristas e insurgentes.
- O democrata Barack Obama prometeu começar a trazer os americanos no Iraque de volta para casa tão logo assuma o governo, assim como grande parte das forças de combate em um prazo de 16 meses.
- A democrata Hillary Rodham Clinton disse que começará a reduzir o número de soldados americanos em um prazo de 60 dias após assumir o governo, estabelecendo o ritmo das reduções de acordo com as condições em solo.
"Até certo ponto todas as três posições são ingênuas", disse o coronel reformado do Exército, Lawrence Wilkerson, que serviu como chefe de gabinete do ex-secretário de Estado, Colin Powell. "A realidade se intrometerá aqui."
Independente de quem substitua Bush, o próximo presidente descobrirá que as opções no Iraque são limitadas.
"No momento é possível dizer tudo o que alguém quiser durante a campanha", disse o ex-funcionário do Pentágono, Anthony Cordesman, um analista de Defesa do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. "O mundo real não tem muito a ver com campanhas políticas e aniversários. Ele tem a ver com os fatos em solo quando o presidente assumir o governo."
Atualmente há 154 mil soldados americanos no Iraque.
A futura estabilidade dependerá de uma maior redução do derramamento de sangue, diminuição das tensões sectárias, obtenção de uma governança iraquiana competente e da promoção do desenvolvimento econômico, disse Cordesman, tarefas que no mínimo levarão outros quatro anos.
"A verdade é que estamos falando que a realidade da próxima presidência será promover uma transição clara até o ponto em que os iraquianos poderão assumir", ele disse "Isto não significa a manutenção do nível atual de tropas, mas ajudar os iraquianos a conseguirem qualquer tipo de estabilidade e segurança duradoura não será algo rápido."
McCain abraçou plenamente este pensamento. Ele chamou o general David Patraeus, o mais alto comandante americano no Iraque, de "um dos maiores generais da história americana". Ele apóia um número de soldados ainda maior do que o governo Bush está disposto a empregar no Iraque. E ataca as promessas de Obama e Clinton de iniciar retiradas de tropas com prazo determinado.
Mas muitos especialistas dizem que a opção de McCain estressará ainda mais as forças armadas americanas, que já lutam para manter um nível suficiente de soldados e de equipamentos diante da guerra mais longa já travada pelos Estados Unidos com uma força totalmente voluntária.
"As forças não 'quebrariam' mas, é preciso dizer, elas continuarão dependentes de nossos soldados e marines", disse Michael O'Hanlon, um alto membro de política externa da Instituição Brookings, um centro de estudos de Washington. "Isto é muito difícil para os homens e mulheres em uniforme."
Enquanto crescem estas tensões, os candidatos democratas estabeleceram seus planos para colocar um fim à guerra.
Obama disse que como presidente, iniciaria imediatamente a trazer uma ou duas brigadas para casa por mês -uma brigada corresponde aproximadamente a 3.500 soldados- e todas as unidades de combate em um prazo de 16 meses após assumir o governo.
O plano conta com o apoio de muitos americanos, mas o público está dividido.
Quatro em 10 americanos são favoráveis à manutenção do curso, argumentando que a guerra não foi um erro e que as forças americanas podem ajudar a promover a estabilidade no Iraque se ficarem lá tempo suficiente, segundo uma pesquisa USA Today/Gallup.
A mesma pesquisa apontou que 60% dos americanos são contrários à guerra. Mas apenas 17% disseram que as forças americanas devem ser retiradas já, enquanto 20% disseram que este país tem uma obrigação de permanecer até que algum nível razoável de segurança seja estabelecido. A pesquisa entrevistou 2.021 adultos em todo país de 21 a 24 de fevereiro e conta com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Clinton tentou deixar espaço para manobra em sua política, que pede por um rápido início da retirada das tropas do Iraque, mas também por uma avaliação das condições em solo antes de ordenar maiores reduções.
Ela e Obama também pediram por uma diplomacia regional mais assertiva na região sensível, rica em petróleo.
"Com Obama você tem quase certeza do fracasso da missão. Com McCain há séria pressão sobre as forças. Clinton está próxima de Obama, mas com um pouco mais de flexibilidade", disse O'Hanlon, um ex-conselheiro de Clinton.
Em 19 de março de 2003, Bush discursou para o país do Salão Oval, dizendo aos americanos, que as pesquisas mostravam apoiar firmemente a guerra na época, que ele estava enviando tropas americanas para o Iraque para livrar o país das armas químicas e biológicas de destruição em massa, "para libertar seu povo e defender o mundo de um grave risco".
Assessores da Casa Branca disseram na época que a guerra custaria aos contribuintes americanos cerca de US$ 60 bilhões.
Seis semanas depois, Bush vestiu um macacão de vôo, apareceu em um porta-aviões tendo ao fundo uma faixa que dizia "Missão Cumprida" e declarou que "as grandes operações de combate no Iraque foram encerradas".
Cinco anos depois, a guerra já tirou a vida de 3.975 soldados americanos e feriu 29.395 outros, segundo números do Pentágono.
Nenhum estoque de armas de destruição em massa foi encontrado.
O contribuintes já gastaram US$ 607 bilhões para pagar pela guerra até setembro próximo. O Comitê Econômico Conjunto bipartidário do Congresso estima que a guerra custará aos americanos entre US$ 3,5 trilhões e US$ 4,5 trilhões até 2017, quando custos de longo prazo como atendimento médico aos feridos forem levados em consideração.
Quem quer que venha a ocupar o lugar de Bush herdará uma guerra que estará entrando em seu sétimo ano quando o presidente for empossado em 20 de janeiro de 2009.
"Se quisermos ter um debate razoável sobre isto, nós precisamos falar sobre as conseqüências a longo prazo", disse Cordesman. "A esta altura, os americanos tendem a ser confrontados com opções que não são reais, mas sim por um debate bastante artificial sobre prazos artificiais que, de muitas formas, carece das conseqüências no mundo real de fazer tais escolhas políticas." UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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