19/03/2008 - 00h01 Iraque: Eleição não deve mudar política dos EUA sobre a guerra, diz Dávila
Da Redação
A guerra do Iraque deixou o país em situação "desesperadora" e considerada "uma das mais críticas do mundo". Milhões de iraquianos sobrevivem sem água tratada, saneamento básico e acesso à saúde. Um terço dos quase 27 milhões de habitantes precisa de ajuda humanitária para viver. É o que apontam dois relatórios divulgados por organizações internacionais, a Cruz Vermelha e a Anistia Internacional. Enquanto isso, os Estados Unidos seguem dizendo que a violência diminuiu. Em análise sobre os 5 anos da guerra, de Washington, Sérgio Dávila afirma que os EUA acham que o Iraque está melhor, opinião não compartilhada pelo povo iraquiano, se questionado sobre o assunto. "A não ser por parte dos republicanos, obviamente Bush, Cheney e seu gabinete, e o senador McCain, que também passou pela Iraque para aproveitar a efeméride, há muito protesto nos EUA e pouca comemoração", conta jornalista.
Sobre a nova postura que o país adotará após as eleições, o jornalista é cético. "Não vejo mudanças radicais seja quem for o presidente. Há uma grande chance de mudança porque ambos os pré-candidatos democratas, Obama e Hillary, estão na frente e bateriam McCain, mas não podemos esperar tropas voltando em 60 dias como dizem", diz. "Tudo isso é retórica de campanha. Na hora de sentar na cadeira do Salão Oval é muito pouco o que o presidente pode fazer."
Dávila lembra que se o senador democrata vencer, a política em relação à guerra deve se manter, já que McCain sem mostra um "entusiasta". "Ele disse que não se incomoda se os EUA ficarem 100 anos no Iraque", diz.
O jornalista, que esteve no Iraque em 2003, pouco antes da guerra estourar, conclui a análise destacando uma diferença entre o Iraque de agora e o de antes do conflito. "Hoje a Al Qaeda está no país, com célula organizada, e tem até nome próprio: Al Qaeda na Mesopotâmia. Antes os iraquianos sabiam da Al Qaeda apenas pelos atentados às Torres Gêmeas."
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