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27/03/2008 - 18h01
Consórcio da linha 4 do metrô de SP culpa "rocha gigante" por tragédia na obra de Pinheiros

Fabiana Uchinaka
da Redação

O Consórcio Via Amarela -formado pelas empreiteiras OAS, CBPO (do grupo Odebrecht), Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez- divulgou nesta quinta-feira um laudo geológico, encomendado pelo grupo, que diz que uma rocha gigante foi a responsável pelo acidente nas obras da futura estação Pinheiros da linha 4 do Metrô de São Paulo. O desabamento de parte do túnel, no dia 12 de janeiro de 2007, matou sete pessoas.

O laudo, assinado pelo engenheiro britânico Nick Barton, PhD em mecânica das rochas pelo Imperial College, em Londres, diz que o surgimento da cratera no local da obra foi causado pelo deslizamento de uma rocha de 15 mil toneladas, localizada em cima do túnel do metrô, que, segundo o especialista, "por azar não foi detectada" em nenhuma das 11 perfurações feitas em torno do local durante o período de planejamento da obra. As sondagens de solo são pequenas escavações verticais para diagnóstico do terreno feitas antes do início da obra.

MECÂNICA DAS ROCHAS
Arte UOL
A pressão lateral que as rochas fazem umas nas outras sustenta a cobertura em arco; a rocha gigante tinha formato de cone e pressionava para baixo
Arte UOL
A perfuração foi feita no meio de duas formações de rocha dura e não detectou a rocha gigante em cima do túnel; o projeto foi elaborado a partir da sondagem
RELEMBRE A TRAGÉDIA
ESPECIAL SOBRE O CASO
De acordo com Barton, a rocha gigante e dura no meio de uma formação rochosa menos densa provocou uma instabilidade na cobertura do túnel. Segundo ele, houve um "problema de resistência" entre materiais com densidade, rigidez e peso diferentes. Além disso, o formato da rocha gigante, mais estreita no topo e mais larga na base, compromete o "efeito de arco" que sustenta a cobertura do túnel.

O especialista acredita ainda que a rocha gigante apresentava falhas e desgastes, que permitiram infiltração de água no local. A lama que se formou na lateral da rocha teria criado uma espécie de "lubrificação" que acabou provocando seu deslocamento.

Para ele, o deslizamento foi "uma fatalidade". "Nada teria impedido o acidente. Todos os métodos conhecidos existentes na engenharia teriam falhado", disse.

No entanto, o promotor Arnaldo Hossepian, que cuida das investigações criminais sobre o ocorrido, acredita ser muito difícil que pessoas não sejam responsabilizadas criminalmente por imperícia, negligência ou imprudência. Um dos possíveis exemplos de negligência é a falta de um plano de contigenciamento que parasse o trânsito e a circulação de pedestres, como o que foi adotado após a assinatura de um Tac (Termo de ajustamento de conduta) entre o MP, o Consórcio Via Amarela, o Metrô e o IPT.

O engenheiro Marcio Pellegrini, representante legal e diretor de contratos do Via Amarela, afirmou que o consórcio "não contribuiu em nada" para o acidente acontecer. Ele defende que foram adotados todos os procedimentos padrão para este tipo de obra. "A chance de um colapso desses ocorrer é a mesma de um raio cair duas vezes no mesmo local", comparou.

Barton é um dos maiores especialistas em túneis e rochas e já publicou diversos trabalhos sobre o assunto em nível mundial. Foi premiado nos Estados Unidos, Portugal, Noruega e Argentina, entre outros países.

Nas investigações oficiais sobre a causa do acidente, um outro laudo deve ser divulgado no próximo mês de agosto pelo Instituto de Criminalística. A Via Amarela diz que vai continuar investigando as causas do acidente.


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