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01/04/2008 - 17h26
Justiça brasileira condena traficante Abadía a 30 anos de prisão
Da Redação
A Justiça Federal em São Paulo condenou, nesta segunda-feira (31), o traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía a 30 anos de prisão. O juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, considerou o chefe de cartel de drogas culpado por cinco crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro decorrente de tráfico internacional, falsificação de documento público e uso de documentos falsos. Além de ter sido condenado a 30 anos, 05 meses e 14 dias de reclusão, Abadía terá de pagar R$ 4.320.600,00 de multa.
Abadia passou mais de três anos escondido no Brasil, até ser preso em agosto do ano passado, na Operação Farrapos, da Polícia Federal. Nesse período, fez 78 cirurgias plásticas e, de acordo com as investigações da PF, teria comandado um esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
A mulher do traficante, Yessica Paola Rojas Morales, foi condenada a 11 anos e seis meses de reclusão, além do pagamento de multa de R$1.379.400,00.
Além do casal, mais oito pessoas acusadas de fazerem parte do esquema de lavagem de dinheiro oriundo de narcotráfico foram condenadas à prisão. De acordo com o juiz, "a organização criminosa liderada por Abadía esteve estruturada em três grupos que o auxiliaram na prática do delito de lavagem de dinheiro, mas devidamente coordenados entre si, fornecendo-lhe a logística e infra-estrutura necessárias para garantir a sua ocultação no país, além de lhe terem prestado serviços na aquisição de bens, colocando-os em nome de terceiros para assegurar a ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos utilizados na compra".
Juiz é contra a extradição Nos Estados Unidos, Abadía é acusado de tráfico internacional e de ser mandante de 15 homicídios. No último dia 13, Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a sua extradição. Mas na sentença de ontem, o juiz Fausto de Sanctis, que cuida do "caso Abadía" desde 2007, se manifestou contrário ao procedimento.
Sanctis defende que Abadía deve pagar pelos crimes aqui no Brasil. De acordo com ele, extraditar o traficante "seguramente significaria pular uma etapa, saltar as leis que os brasileiros estão obrigados a cumprir, algo que ele desejava por meio de um procedimento legal (Delação Premiada), mas agora que pode ser obtido sem necessidade de revelar categoricamente toda a verdade que sabe".
Bens do traficante em bazar beneficente Na mesma sentença, o magistrado determinou que parte dos bens acumulados por Abadía em território brasileiro irão a leilão. Cinco carros de luxo pertencentes ao traficante -- um Toyota Hilux, uma Mercedes C280, um Nissan Frontier, um Ford Fusion e uma MIS/Caminhonete cabine-dupla --, serão oferecidos em um pregão eletrônico nos dias 24 de abril e 9 de maio próximos. Parte dos recursos financeiros arrecadados serão utilizados para a aquisição de equipamentos de segurança na Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, responsável pela prisão de Abadía, em agosto de 2006.
Além disso, dois outros veículos do traficante -- uma Ford Rural Willys e um Jeep Willis Overland serão oferecidos em um bazar beneficente, a ser realizado no Jockey Club de São Paulo, no período de 08 a 13 de abril próximos. No mesmo bazar, serão vendidos os bens móveis acumulados pelo traficante (utensílios domésticos, eletrodomésticos e etc). O dinheiro arrecadado no evento será revertido para instituições beneficentes e parte para depósito em conta judicial. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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