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08/04/2008 - 08h00
Para reduzir assaltos, empresas instalam câmeras em terminais de ônibus em Salvador
Manuela Martinez Especial para o UOL Em Salvador
O aumento da violência na Bahia, que já provocou a queda do secretário da Segurança Pública, Paulo Bezerra, atingiu em cheio as empresas de ônibus. Até o final de março, 612 ônibus que circulam na capital baiana foram assaltados (média de 6,8 por dia), segundo informações do Gerrc (Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos). Nos cinco primeiros dias de abril, a média cresceu para oito -foram registrados 41 assaltos. Em 2007, no primeiro ano da administração do governador Jaques Wagner (PT), a média foi de seis ônibus assaltados por dia.
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Preocupados com os prejuízos, os empresários fecharam um acordo com a Prefeitura de Salvador para instalar câmeras nos principais terminais de ônibus e ampliar o monitoramento nos veículos -atualmente, da frota que roda na cidade, 2.537 ônibus, apenas 930 contam com câmaras. Pelo acordo, as obras começam imediatamente e os empresários se comprometeram a instalar 40 câmaras por mês.
O crescimento no número de assaltos também provocou a reação da população. Desde o começo do ano, quatro supostos assaltantes foram mortos por passageiros dentro de ônibus. "Isso significa que alguns passageiros, que podem ser policiais à paisana, estão andando armados", afirmou o delegado Antonio Cláudio Pereira Oliveira, do Gerrc. No entanto, segundo registros da própria delegacia, apenas um policial matou um suposto assaltante. "Os outros três eram civis, o que é um dado preocupante", disse o delegado.
A estratégia dos assaltantes mudou nos últimos meses, depois que todas as empresas instalaram cofres com temporizadores nos ônibus (os equipamentos só abrem nas garagens). Como circula pouco dinheiro nos coletivos -a maioria dos passageiros tem vale-transporte_, os assaltantes passaram a saquear passageiros, levando, principalmente, os seus objetos mais valiosos -relógios, telefones celulares, bolsas, carteiras e pastas.
"Tivemos de mudar a nossa forma de agir depois dessa constatação. Agora, não interditamos mais o trânsito para fazer as blitze normais. Então, passamos a realizar ações-relâmpago e carros que não são padronizados", disse o delegado Oliveira.
As empresas também começaram a descontar dos cobradores parte do prejuízo. Em geral, as empresas fixam um valor máximo para o cobrador trabalhar (em média, R$ 80). "Se o valor assaltado for maior, o cobrador paga, porque ele deveria colocar a diferença no cofre. Se for menor, não acontece nada", acrescentou Antonio Cláudio Oliveira.
Abordagens A Polícia Militar também adotou uma outra estratégia para tentar reduzir o número de assaltos -a abordagem aos passageiros que estão nos terminais. A fórmula trouxe resultados imediatos. Entre 2005 e 2006, 173 suspeitos foram presos. Somente nos três primeiros meses desse ano, os policiais prenderam 92 pessoas. "Não adianta fazermos grandes operações porque os assaltantes se comunicam rapidamente. Então, partimos para ações mais rápidas e inesperadas", disse Antonio Oliveira.
De forma geral, os assaltos são realizados de duas maneiras. Na primeira, a mais comum, um ou dois assaltantes entram no ônibus, não pagam as passagens -permanecem em pé, entre a catraca e a porta traseira do veículo-, anunciam o assaltam, rendem o cobrador e saqueiam todos os passageiros.
Na segunda, dois ou três assaltantes entram no ônibus, pagam as passagens, mas ficam separados. Quando anunciam a ação, um assaltante domina o cobrador, o outro, o motorista, e o terceiro faz os saques. Nesses casos, de acordo com a PM, os assaltantes costumam alterar a rota dos coletivos.
"O incrível é que eles (os assaltantes) se arriscam por muito pouco, porque, em média, levam entre R$ 50 e R$ 80 das empresas, dinheiro que é empregado na compra de drogas. E, quando saqueiam os passageiros, correm o risco de serem mortos", disse o delegado da Gerrc. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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