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17/04/2008 - 09h48
Prefeito de Foz do Iguaçu apóia imposto unificado para "sacoleiros"

Ana Luiza Zenker
Enviada especial
Da Agência Brasil

Cidade do Leste (Paraguai) e Foz do Iguaçu (Brasil) são duas cidades que podem ser consideradas uma só. É assim que o prefeito de Foz do Iguaçu (PR), Paulo Mac Donald Ghisi, descreve o relacionamento do município com a cidade paraguaia vizinha. "Foz é base para escolas, médicos, dentistas, serviços bancários, restaurantes, para lazer dos paraguaios e também dos brasiguaios", diz.

A ligação das duas cidades é a Ponte da Amizade. Cerca de 7 mil brasileiros trabalham em Cidade do Leste e outros tantos vão ao Paraguai em busca de produtos importados com preços mais baratos do que os encontrados no Brasil. São os chamados sacoleiros, que compram material importado no Paraguai e revendem no Brasil.

Com o objetivo de legalizar esse comércio e também aumentar a arrecadação, a prefeitura de Foz apóia o Regime Tributário Unificado (RTU), em tramitação no Congresso. Na opinião de Ghisi, o novo regime é a saída para legalizar a atividade dos chamados sacoleiros.

"Não pode se omitir pura e simplesmente e ignorar a existência de centenas de milhares de brasileiros que vivem de produtos importados", afirma. Por um lado, ele argumenta, "você não pode ignorar, deixar que exista, isso gera um mar de corrupção, de desvios, por um outro lado, proibir, tirar renda de milhares, também não é justo."

Segundo o prefeito brasileiro, desde 2005, quando o combate ao contrabando ficou mais forte na Ponte da Amizade, já foram presos milhares de ônibus e de carros de passeio. Dados da Receita Federal mostram que em 2007 as apreensões na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) passaram dos US$ 77,658 milhões. Nos três primeiros meses deste ano, esse valor chegou a US$ 19,147 milhões, a maior parte em veículos (US$ 7,39 milhões), eletrônicos (US$ 2,65 milhões) e cigarros (US$ 2,16 milhões).

Do outro lado do Rio Paraná, a prefeita de Cidade do Leste, Sandra McLeod, afirma que praticamente todo o contrabando que passava pela ponte não existe mais. "Posso dizer que depois de uns seis anos de trabalho conjunto, esse contrabando já foi quase eliminado, mas não posso dizer que não existem portos clandestinos que devem ser combatidos pelos dois governos", diz.

Com o comércio legal, Cidade do Leste arrecada cerca de 48% do orçamento geral do Paraguai. Por causa dessa importância econômica, a prefeita afirma que espera mais atenção do próximo governo para a região.

"Queríamos que o governo central tivesse muito mais interesse, que desse mais importância a esta região, em todos os sentidos, na parte social, econômica, que tenhamos apoio para nosso relacionamento internacional, com o Brasil e com os outros países do Mercosul."

Neste domingo (20), os paraguaios vão às urnas para eleger um novo presidente, governadores, deputados federais e estaduais, senadores e os membros paraguaios no Parlamento do Mercosul.


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