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22/04/2008 - 21h44

Tremor de 5,2 graus na escala Richter atinge SP e é sentido em mais 4 Estados

Da Redação*
Em São Paulo
e em Brasília
Atualizado à 02h07 de 23/4

Um terremoto de 5,2 graus de magnitude na escala Richter atingiu diversas regiões de São Paulo na noite desta terça (22), e foi sentido em outros quatro Estados. O epicentro foi no mar, a 215 km da costa do Estado de São Paulo, segundo informação do Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB). O fenômeno durou três segundos, e o tremor foi um dos sete maiores em magnitude já registrados por sismógrafos no país, segundo o professor George Sand França, da UnB.

Não há registro de feridos ou de ocorrências graves, mas foram registradas rachaduras em edifícios no bairro do Butantã e no Hospital Estadual da Vila Alpina, na zona leste.

Além da capital, moradores de vários locais do Estado de São Paulo, como a região do ABC paulista, Baixada Santista e Campinas informaram ter sentido os tremores. Cidades mais distantes como Americana, a 120 km da capital, também sentiram o abalo. Moradores de Estados vizinhos afirmam ter sentido um leve tremor, como internautas de São Gonçalo e da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, relataram ao UOL. Também no Paraná, em Minas Gerais e em Santa Catarina chegaram reflexos do tremor.

Folha Imagem
Moradores de edifício no Butantã, em SP, abandonaram suas casas e relataram que parade interna ficou rachada com o tremor
RACHADURA NA ZONA LESTE
ÚLTIMO FOI EM NOVEMBRO
OUTROS TERREMOTOS NO PAÍS
COMO ACONTECE O TREMOR
O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de São Paulo confirmou que recebeu dezenas de ligações de moradores de todas as zonas da capital relatando o abalo.

Tremor foi um dos sete maiores registrados do Brasil
Segundo o professor George Sand França, o terremoto está entre os sete maiores já registrados no Brasil. Foi, disse, o que teve maior efeito na região de São Paulo. Antes desse, o maior registrado ocorreu em 1922, na região de Mogi-Guaçu (172 km de São Paulo), com 5,1 graus na escala Richter (com a diferença de que neste o epicentro foi no continente). O maior terremoto documentado no país ocorreu em 1955, de magnitude 6,6 na escala Richter, em Porto dos Gaúchos, na Serra do Tombador (MT).

O professor França afirmou que São Paulo fica em região de fratura em placa tectônica que já tem uma atividade física permanente. Ele foi sentido na metrópole com maior intensidade devido ao grande número de prédios e a uma quantidade maior de pessoas, que responderam de forma imediata ao tremor.

Segundo ele, a possibilidade de ocorrer outro tremor no período pós-abalo é mínima, mas isso é algo "que não pode ser descartado". Em dezembro do ano passado, por exemplo, depois que um terremoto de 4,9 graus atingiu a região de Itacarambi, foram registrados cerca de 300 terremotos, "abalos bem menores que muitas vezes não são nem sentidos pelos moradores", explicou.

Arte UOL
O epicentro do tremor de 5,2 graus foi próximo ao litoral paulista
O epicentro do terremoto fica na área de plataforma continental que vai do Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, segundo França. A estimativa de freqüência de abalos sísmicos nessa área seria de uma a cada 10 a 15 anos, mas, explica o especialista, a estimativa não é exata porque a medição instrumental começou somente no século passado, um período considerado historicamente curto para estudos precisos de freqüência.

França recomenda: o importante em situações de tremor é que as pessoas não entrem em pânico e saibam como agir. "O principal é ter calma."

Construção civil deve considerar segurança
Na opinião dele, o Brasil precisa começar a pensar em termos de construção civil que leve em consideração a segurança para o caso de terremotos, principalmente em lugares que são mais suscetíveis a abalos. Ele citou os municípios de Alcântaras (CE), Sobral (CE) e João Câmara (RN).

O professor também descartou a relação do tremor de terra com a exploração de plataformas de petróleo na região. Segundo ele, os primeiros registros de tremores na região da chamada plataforma continental são de 1955, antes da exploração do petróleo.

Segundo a geofísica Célia Fernandes explicou ao UOL em novembro de 2007, quanto outro tremor sentido em São Paulo, em regiões mais altas da cidade, como a avenida Paulista, é mais fácil sentir abalos sísmicos, bem como em andares mais altos de edifícios, pela maneira como as ondas do tremor se propagam.

Relatos
A produtora de moda Olivia Hanssen, 27, conta que estava em casa, a dois quarteirões da avenida Paulista, em São Paulo, quando sentiu o tremor. "Estava deitada, com meu gato no colo, quando senti a cama tremer. O gato deu um pulo e ficou com o pelo arrepiado e o olhar fixo", conta.

Larissa Ricciardi, 35, que também mora na região da av. Paulista, estava em casa quando sentiu a mesa em que trabalhava ao computador mexer. "Deu para perceber que não era um tremor comum, provocado por um caminhão na rua, porque o lustre balançou e os móveis mexeram", relata.

O marchand Clemente Hungria, 52, sentiu o tremor no bairro de Perdizes, Zona Oeste da capital paulista. "Tremeu bastante, chegou a dar enjôo", conta ele, que mora no décimo andar. "As janelas do apartamento fizeram barulho, mas não chegou a quebrar nada".

Na região central da cidade, na rua Augusta, o professor da USP César Azevedo, 42, conta que o tremor pareceu, a princípio, um ônibus que passava. "Daí, olhei pela janela, e não vi nada na rua. Só mais tarde, pela televisão, fiquei sabendo do que se tratava".

*Com informações da Agência Estado

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