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23/04/2008 - 09h23
Observador classifica tremor de 'expressivo' e diz que novos abalos podem ocorrer
Da Redação Em São Paulo
O chefe do Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Vieira Barros, afirmou que novos tremores, de menor magnitude, podem acontecer no país nas próximas horas, principalmente em alto-mar, em conseqüência daquele sentido ontem no Estado de São Paulo e em outros quatro Estados. Ele admitiu, em entrevista ao telejornal "Bom dia Brasil", da "TV Globo", que algumas regiões enfrentam um "surto" de tremores, mas atribuiu a sensação de maior incidência à melhora da capacidade de registro e análise de abalos pelos institutos nacionais.
"Via de regra, sempre que acontecem tremores de terra, é possível ter outros, chamados de pós-abalos. A gente espera que os que vão acontecer não tenham magnitude maior", disse. "O que pode acontecer é que sismos de magnitude 3,5 a 4,5 (graus na escala Richter) vão ser pouco sentidos no litoral brasileiro".
Segundo Barros, o país teve, nos últimos anos, "sua capacidade de monitorar sismos ampliada", o que explicaria a maior divulgação de abalos em diversas regiões, "como este que ocorreu no norte de Minas Gerais, no Nordeste e no Oceano Atlântico". O pesquisador, no entanto, admitiu que o Brasil passa por um "surto" de tremores de terra.
Poder de destruição Para o chefe do observatório da UnB, embora o abalo que foi sentido em São Paulo seja considerado, numa análise mundial, como de magnitude moderada, em termos nacionais tem grandes chances de ser classificado como expressivo. O abalo, de 5,2 graus, pode ser colocado assim no mesmo rol dos tremores de maior magnitude que já atingiram o país. A diferenciação, para Barros, está no poder de destruição do tremor.
"O poder de destruição do terremoto depende, primeiramente, de sua magnitude. Não se pode esperar que um terremoto de 3,5 (graus) possa produzir destruição. Entretanto outros fatores são fundamentais, como a profundidade do foco e a distância do ponto de origem do sismo para os centros urbanos", analisou, antes de fazer um alerta.
"Um terremoto de 5,2 (graus) já pode causar danos se acontecer próximo de centros urbanos onde a qualidade das construções não sejam boas". Ele citou o exemplo de Itacarambi (MG), onde um tremor de 4,9 graus destruiu casas e matou uma menina de 5 anos, em dezembro do ano passado.

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