O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira em Manaus que vai fazer o que estiver ao seu alcance para tentar "salvar a Gradiente". Lula afirmou que já conversou com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, presente na comitiva presidencial à capital amazonense, para que ele avaliasse a possibilidade de empréstimo a fim de evitar que a empresa, instalada no Pólo Industrial de Manaus há 35 anos, e que já chegou a empregar seis mil pessoas, feche suas portas.
A declaração serviu para dar "satisfação" a funcionários da empresa que estiveram presentes às inaugurações feitas pelo presidente Lula em Manaus e que, na noite de segunda-feira, realizaram uma manifestação pacífica em frente ao hotel onde o presidente pernoitou na cidade. Segundo os funcionários, que desde agosto de 2007 estão em férias coletivas remuneradas, eles tentam obter um empréstimo junto ao BNDES para criar uma cooperativa e gerir os destinos da empresa. Atualmente cerca de 500 funcionários da Gradiente em Manaus esperam uma solução por parte da empresa.
Acompanhado do governador do Amazonas, Eduardo Braga, do prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, de deputados federais pelo Amazonas, do senador João Pedro (PT-AM), além dos ministros dos Transportes, da Casa Civil, das Cidades, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e dos presidentes da Caixa Econômica Federal e do BNDES, o presidente Lula defendeu com veemência o Pólo Industrial de Manaus e disse que só critica o modelo Zona Franca "quem não conhece e nunca colocou um pé no Estado do Amazonas". Disse, ainda, que no lançamento do novo Projeto de Políticas Industriais do Governo Federal a região Norte será lembrada.
Ele lembrou quem vem a Manaus desde 1980, quando ainda era sindicalista em São Bernardo do Campo, "sempre participando das campanhas salariais dos companheiros metalúrgicos" e que cada vez tem mais orgulho da Zona Franca de Manaus. Principalmente agora, ao fazer um balanço do seu goveno. "Quando assumi a presidência o Pólo Industrial gerava cerca de 50 mil empregos, hoje são 115 mil, e ainda queremos muito mais", disse.
"Não é nenhum favor mantermos a Zona Franca de Manaus, é um dever", destacou o presidente. Ele lembrou que o modelo conta com as chamadas indústrias limpas, que operam com tecnologia de ponta e têm contribuído de forma efetiva para a preservação da floresta.