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13/05/2008 - 19h46

Diretor de Agência Nacional de Águas vê "desgaste acumulado" de Marina

Da Redação
Em São Paulo
Um acúmulo de desgastes levou Marina Silva a pedir demissão do Ministério do Meio Ambiente nesta terça-feira, após mais de cinco anos no cargo. É essa a opinião de José Machado, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, que participava de reuniões quinzenais com a ex-ministra.

"Ela sempre teve suas pendências com o governo de modo geral. Isso provavelmente foi se acumulando. Ela está confrontada com muitos desafios, muito caros à vida dela, principalmente no que se refere à Amazônia, e provavelmente não sentiu ter todos os instrumentos à disposição para cumprir sua missão", avalia o petista Machado, ex-deputado federal e ex-prefeito de Piracicaba (SP).

Dizendo-se surpreso com a decisão de Marina, Machado relata ter notado a ex-ministra "angustiada" nas últimas semanas.

"As tarefas relacionadas sobretudo ao desmatamento, que são muito tensas, são alvo de muita pressão da sociedade, deixavam-na angustiada. Ela, procurando levar seu ponto de vista, que nem sempre é plenamente entendido pela sociedade, pode ter sentido o desgaste acumulado", afirmou, referindo-se aos embates dela com ministros e ex-ministros de Lula, como Dilma Rousseff (polêmica das usinas hidrelétricas no rio Madeira), Luiz Fernandes Furlan (legalização de transgênicos) Reinhold Stephanes (uso de terras da Amazônia para a agricultura) e Mangabeira Unger (Plano Amazônia Sustentável).

Para Machado, o governo tem "grande prejuízo" com a decisão de Marina. "É uma pessoa que tem capacidade de aglutinação muito grande. A equipe toda era muito leal a ela. Por respeito a ela como pessoa da área, mas também como dirigente, uma pessoa carinhosa com a equipe. Apesar de ser muito incisiva nas suas decisões, é muito democrática, ouve os colegas".

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