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14/05/2008 - 18h32

Para ONGs, conciliar crescimento com questões ambientais é o desafio do novo ministro

Diogo Pinheiro
Silvana Salles
Thiago Varella
Da Redação
Representantes de ONGs ligadas ao meio ambiente, que atuam no Brasil, apontam a conciliação entre a agenda do crescimento econômico e a agenda ambiental como principal desafio de Carlos Minc, novo ministro do Meio Ambiente.

Para Alberto Cantanhêde, presidente do GTA (Grupo de Trabalho Amazônico), que reúne cerca de 600 organizações que atuam em diversos segmentos na Amazônia, a ex-ministra deixou o governo sem concluir esta missão.

"Isso [conciliar as agendas] a Marina não conseguiu. Não sei se alguém conseguirá fazer sem a ação pró-ativa da presidência da República e também da Casa Civil. Se ele conseguir isso, vencerá desafios que a Marina não conseguiu", disse Cantanhêde.

Divulgação
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Para Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace, Minc terá de garantir a legitimidade do ministério. Segundo ele, o Greenpeace avalia que o agronegócio ganhou a briga com o governo. Por isso, o novo ministro poderá ser apenas "um carimbador e aprovador" de idéias do governo Lula.

"A Marina era uma pedra no sapato do governo. Na nossa concepção, a pedra tinha de ser ainda maior, mas é claro que o novo ministro não vai poder criar barreira nenhuma. O Minc tem a capacidade de falar com a sociedade e resgatar o ministério. Será que ele vai fazer isso ou vai apenas carimbar as ordens do governo?", questiona Furtado.

Para a ONG Amigos da Terra, a substituição de Marina Silva por Carlos Minc deixou claro que a questão ambiental não é prioridade no atual governo. "Se a Marina, com todo o seu carisma, não conseguiu consolidar uma política de meio ambiente em cinco anos, nenhum novo ministro vai conseguir, por mais qualidades que tenha", avalia Mário Menezes, diretor-adjunto da entidade.

A ausência de um perfil regional forte em Carlos Minc como o de sua antecessora também preocupa a Amigos da Terra. "O presidente vive falando na Amazônia como nossa única bandeira no meio ambiente. Qual vai ser a leitura dos países lá fora se o próprio governo abre mão de alguém da região e coloca no lugar alguém que não tem a mesma vivência?", questiona Menezes

Já Mario Mantovani, diretor de mobilização da SOS Mata Atlântica, considera que as principais dificuldades do novo ministro estarão na relação com outros órgãos do governo. O ambientalista, que diz acompanhar a trajetória de Carlos Minc há anos, pondera que ele não deverá encontrar na pasta de Meio Ambiente uma situação tão favorável a sua atuação quanto a que viu no Rio de Janeiro.

"No Rio, ele fez uma revolução. Liberou diversos licenciamentos que de certa forma estavam engessados. Mas não é isso que acontece no ministério. Estava se estruturando uma política. Estamos preocupados que, com o PAC e as pressões dos ministérios de Minas e Energia, Agricultura e outras pastas, entre a galera do liberou geral", disse Mantovani.

Ainda comparando Rio e Brasília, Mantovani avalia que o desafio de Minc será "apagar os incêndios dos últimos dois anos e meio", referindo-se as disputas que envolveram a pasta de Meio Ambiente nas questões agrária e de energia, principalmente. "Tudo que dava errado no Brasil, não era o dólar, a questão fundiária, a segurança jurídica. Todo mundo jogava tudo na conta da Marina [Silva]. Agora, o Carlos Minc vai pegar uma demanda represada", afirma.

Ao contrário da postura cética de algumas das entidades, o WWF Brasil apóia o nome de Carlos Minc sem restrição. A ONG lembra que secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro tem demonstrado compromisso com o meio ambiente em sua gestão. "Minc é um hábil negociador, principalmente com os setores produtivos. Ele tem a experiência de desenvolver uma agenda urbana, o que é muito importante com as obras do PAC acontecendo", afirmou Denise Hamú, secretária geral do braço brasileiro do WWF.

Hamú, que trabalhou de 1994 a 2003 no Ministério do Meio Ambiente, diz que sua principal expectativa é que o novo titular da pasta dê continuidade às agendas que estão em curso, principalmente àquelas que tratam da Amazônia.

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