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02/07/2008 - 13h42

Governo libera R$ 78 bilhões para conter alta dos alimentos; Lula minimiza crise e ataca pessimistas

Da Redação
Em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira em Curitiba o Plano Agrícola e Pecuário 2008-2009. Para essa safra, está previsto um volume de crédito de R$ 78 bilhões, o que representa um incremento de R$ 8 bilhões em relação à safra 2007-2008. Para o Plano Agrícola de Agricultura Empresarial serão destinados R$ 65 bilhões. O plano para a agricultura familiar, que será anunciado nesta quinta, em Brasília, terá R$ 13 bilhões.

Lula: "se o barco afundar, todos serão iguais embaixo d'água"

    Lula e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmaram que, para enfrentar o aumento da inflação, puxada pela alta no preço dos alimentos, o Brasil precisa ampliar sua produção agrícola. Segundo o presidente, os efeitos do novo plano e aumento da produção agrícola serão sentidos em seis ou sete meses.

    Em discurso, o presidente minimizou a crise, afirmou que não apenas o governo federal pode ser responsabilizado pelo retorno da inflação, atacou críticos e voltou a dizer que a crise mundial dos alimentos "tem que ser encarada pelos brasileiros como uma extraordinária oportunidade para o país se tornar o celeiro do mundo".

    "Tudo isso que é tratado pela imprensa como sendo uma crise e é vendido no mundo como fosse uma crise, nós brasileiros, sem nenhuma arrogância e nenhuma presunção, precisamos encarar isso, que para os outros é uma crise, como uma extraordinária oportunidade de nós nos transformarmos verdadeiramente no celeiro do mundo", afirmou o presidente.

    "Quem torcer para o país não dar certo vai simplesmente quebrar a cara"

      Em seguida, em entrevista, Lula disse que entre os países em desenvolvimento o Brasil é o que registra o menor crescimento da inflação. "Nós estamos em uma situação confortável, dentro da meta estabelecida pelo governo [4,5%, podendo variar dois pontos percentuais para mais ou para menos]", declarou.

      O presidente ainda criticou a lentidão dos processos de cobrança das dívidas com o governo federal. Lula defendeu que a burocracia e os valores atuais das dívidas do setor agrícola sejam revistos. "Não adianta castigar a vida inteira se não vai receber", disse Lula.

      Já Stephanes atribuiu o aumento dos preços dos alimentos ao aumento do consumo mundial e também ao aumento do preço do petróleo e das matérias-primas. "Sua parte [do Brasil] é produzir mais para ajudar a diminuir ou para evitar que os preços subam mais", disse o ministro.

      Sem citar nomes, Lula afirmou que uma minoria torce para que a inflação volte. "O Lula só tem mais dois anos e seis meses de governo. A gente não pode ficar debitando nas costas do governo a responsabilidade por tudo. Nós precisamos aprender a construir juntos", disse. "Vocês acreditam que tem gente torcendo para que tenha inflação para poder ter um discursinho para falar mal do governo? Estão há três anos sem ter o que falar. Quem torcer para este país não dar certo, vai simplesmente quebrar a cara", declarou.


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