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09/07/2008 - 13h49

Procurador da Operação Satiagraha teme que suspeitos fujam do Brasil

Da Redação
O procurador da República, Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações que resultaram na Operação Satiagraha, disse em entrevista ao UOL que teme que os suspeitos, presos temporariamente, deixem o país quando forem libertados, a exemplo do que aconteceu com o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que fugiu do Brasil para tentar escapar de uma condenação de 13 anos de prisão pelos crimes de peculato e gestão fraudulenta.

Nesta terça, a Polícia Federal cumpriu determinação judicial e prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e o investidor Naji Nahas. Eles são acusados de crimes como formação de quadrilha, evasão e lavagem de dinheiro. Além deles, outras 21 pessoas foram presas, dois preventivamente. As prisões temporárias de Dantas, Pitta e Nahas valem por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. "Se constatarmos que há necessidade de uma prorrogação, nós vamos pedir", disse o procurador.

"Existe esta possibilidade [saída dos suspeitos do país]. Nós vamos pleitear que está liberdade [caso os acusados deixem a prisão] fique restrita, para que isso não possa obstar nem atrapalhar as investigações e o eventual processo criminal que será formulado contra estas pessoas", afirmou Grandis.

O procurador da República disse que o próximo passo das investigações será a análise do material apreendido e o cruzamento dessas informações com os dados obtidos a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal. A Promotoria ainda vai ouvir os depoimentos dos suspeitos.

Grandis rebateu as críticas feitas à operação. "Eu me preocupo com o conteúdo. Na minha opinião, o que fere o Estado democrático de direito são os crimes praticados por essas pessoas, os crimes financeiros, isso fere os direitos sociais brasileiros, as instituições brasileiros, valores que estão contemplados na Constituição", disse. "Minha preocupação é a repressão desta criminalidade econômica de alto calibre que se demonstrou na operação", completou.

Sobre a possível participação de parlamentares no esquema, ele disse que, se houver indício desta participação, as suspeitas serão encaminhas ao Procurador Geral da República. "Se aparecer nome de um parlamentar, é natural que eu encaminhe as provas ao Procurador Geral da República, que tem a missão constitucional de formular acusação e de investigar perante do STF", disse.

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