WASHINGTON, 7 Set 2008 (AFP) - O Tesouro americano anunciou neste domingo que colocou sob sua tutela as companhias de refinanciamento hipotecário Freddie Mac e Fannie Mae até que elas se recuperem da crise financeira atual.
"Este plano é o melhor meio de proteger nossos mercados e os contribuintes do risco sistêmico imposto pela situação financeira atual", declarou o secretário americano do Tesouro, Henry Paulson, em entrevista à imprensa.
"Eu apoio firmemente a decisão do diretor da FHFA (Agência Federal de Financiamento de Moradia) James Lockhart de colocar a Fannie Mae e a Freddie Mac sob tutela, assim como as medidas adotadas pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, para garantir a solidez financeira destes dois organismos", declarou Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), em um comunicado.
"Estas etapas necessárias vão ajudar a reforçar o mercado americano imobiliário e a promover estabilidade nos mercados financeiros", acrescentou o presidente do Fed.
O Tesouro americano também indicou que as duas direções dos gigantes do refinanciamento foram esvaziadas e que vai comprar na Bolsa as ações das duas empresas.
Ele se disse disposto a investir US$ 100 bilhões de dólares em cada uma das empresas.
"Com base no que aprendemos sobre as instituições nas quatro últimas semanas, inclusive o que aprendemos sobre suas necessidades de capital e vistas as condições atuais do mercado, concluí que seria do melhor interesse do contribuinte fazer um simples investimento em capital nestas empresas sob suas formas atuais", acrescentou Paulson.
Após o comunicado, o presidente George W. Bush afirmou que tais medidas tendem a fortalecer a economia americana e ajudar a tranq¯ilizar os mercados financeiro e imobiliário.
"Os americanos devem confiar que as medidas tomadas hoje fortalecerão nossa habilidade de capear a correção do mercado imobiliário e são críticas para fazer a economia voltar a um crescimento sustentado mais forte no futuro", afirmou Bush.
O presidente acrescentou que a possibilidade de uma crise que envolvesse Freddie Mac e Fannie Mae implicaria um "risco inaceitável" para a economia americana.
Confiantes em sua capacidade de refinanciamento, Fannie Mae e Freddie Mac compra dos bancos empréstimos imobiliários que eles concederam a particulares e os vendem em seguida a investidores institucionais. Os bancos ganham com isso liquidez para realizar novos empréstimos, contribuindo assim para o dinamismo do mercado imobiliário.
Fannie Mae e Freddie Mac detêm ou respondem por mais de 40% dos empréstimos imobiliários concedidos aos EUA.
Os dois grupos garantem há quarenta anos a fluidez do mercado de crédito imobiliário americano e facilitar\m o acesso à casa própria da classe média americana.
A Fannie Mae (Federal National Mortgage Association) e a Freddie Mac (Federal Home Loan Mortgage Corporation) são sociedades privadas não ligadas formalmente ao Estado americano, mas que dispõem de uma linha de crédito garantido por este último.
Esta facilidade permite às duas companhias emprestar dinheiro no mercado a taxas bem menores que um banco.
A atual crise foi ocasionada pela depressão do mercado imobiliário e dos produtos financeiros endossados pelos créditos hipotecários de risco, os "subprime", e se expandiu desde então para vários segmentos do mercado de crédito.
Esta transferência para os poderes públicos representa uma nova grande intervenção de Washington na estrutura financeira americana para tentar reabsorver uma crise que explodiu há pouco mais de um ano.
O Fundo Monetário Internacional saudou o plano de salvamento, e opinou que ele contribuirá para "sustenar os mercados e, em conseqüência, as perspectivas econômicas e financeiras".
A A agência de classificação de risco Standard & Poor's, por sua vez, confirmou neste domingo a nota dos Estados Unidos após o anúncio das medidas de salvamento.
Os Estados Unidos continuam com a nota "AAA" para sua dívida de longo prazo "A-1+" para o curto prazo, ou seja, a melhor nota possível na escala da S&P, devido a sua economia de altas rendas, altamente diversificada e de uma flexibilidade excepcional.
A perspectiva de evolução destas notas é estável, o que implica que a agência não pretende alterá-las a curto e médio prazo.