Porto, 20 nov (Lusa) - A homenagem da CP, companhia de trens portuguesa, ao cineasta Manoel de Oliveira, batizando um trem Alfa pendular com o seu nome, tornou-se quase uma festa popular, com a adesão espontânea de muitas pessoas.
Algumas centenas de cidadãos anônimos de todas as idades, juntaram-se à homenagem, realizada no meio da tarde na Estação de São Bento, no Porto, gerando a confusão e deitando por terra quaisquer planos que o protocolo da CP tivesse preparado para a cerimônia.
A pequena multidão se tornou ainda maior com a adesão de muitos cidadãos que chegavam a São Bento, no retorno a casa depois do trabalho, que se juntaram à cerimônia por curiosidade, animada por banda.
Acompanhado pela vice-ministra lusa dos Transportes, Ana Paula Vitorino, e pelo presidente da CP, Cardoso dos Reis, o premiado diretor foi recebido com palmas pela pequena multidão ainda na rua.
Depois, o cineasta progrediu lentamente para o interior da estação, depois de pelo caminho dar inúmeros autógrafos aos cinéfilos que o aguardavam.
Em seguida, aconteceu o batismo do trem, que ficou decorado com uma imagem de alto contraste com Manuel de Oliveira operando uma filmadora. A cerimônia foi registrada por um batalhão de fotógrafos e operadores de câmara presentes.
O cineasta, que comemora 100 anos de vida em 12 de dezembro, mas continua a evidenciar invejável forma física e intelectual, fez depois um pequeno discurso de agradecimento em que falou da "honra e emoção" que sente em ter o seu nome num dos trens que "trazem e levam pessoas para o interior, tão esquecido neste país voltado para o mar".
Após a cerimônia, mais algumas dezenas de cinéfilos tiveram a sorte de ver autografadas por Manoel de Oliveira as brochuras que a CP distribuiu profusamente na Estação de S. Bento, que entretanto, furava, lentamente, de regresso ao carro, a barreira formada pela multidão em busca de autógrafos.