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07/01/2009 - 11h09

Conflito para totalmente o fornecimento de gás à Europa em momento de frio intenso

Boris Klimenko e Sergio Imbert*
Em Kiev e Moscou
A "guerra do gás" entre Rússia e Ucrânia paralisou totalmente o abastecimento da Europa nesta quarta-feira (7), enquanto Moscou e Kiev se acusavam mutuamente e apelam à União Européia (UE). Cerca de um quarto do gás europeu vem da Rússia e a região começa a sofrer com a falta do produto em um momento em que a maioria dos países vem registrando temperaturas abaixo de zero grau.

O conflito do gás entre Moscou e Kiev levou ontem ao corte total do fornecimento da Ucrânia para Hungria, Macedônia, Croácia, Bulgária, Turquia e Grécia, aos quais hoje se juntaram Romênia, Áustria, República Tcheca e Eslováquia, entre outros.

A presidência tcheca da União Européia exigiu que Rússia e Ucrânia retomem até amanhã o fornecimento de gás e advertiu que, em caso contrário, serão tomadas "medidas mais severas".
  • AFP

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O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, também pediu a seu colega russo, Dmitri Medvedev, que retome urgentemente o fornecimento. "Considero necessário que, antes que terminem as negociações, se restabeleça o tráfego diário operacional de combustíveis até os estados da Europa nos volumes e destinos que eram aplicados no dia 31 de dezembro de 2008", disse em sua mensagem. Ele qualificou de "extremamente perigosa" a situação na Europa e pediu que Medvedev "renuncie as limitações para o fornecimento para consumidores europeus".

O líder ucraniano disse que seu país não desvia nem consome o gás russo destinado à Europa, mas, por outro lado, faz todo o possível para garantir seu trânsito. Além disso, propôs iniciar sem demora negociações para estabelecer "um procedimento transparente e previsível de fornecimento de gás russo para os consumidores europeus".

Em outra carta, enviada ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, Yushchenko pediu que sejam "empregadas todas as possibilidades da União Européia para apoiar" o início de negociações com Moscou e que sejam enviados observadores à Ucrânia para conhecerem a situação na área.

A porta-voz do Kremlin, Natalia Timakova, respondeu que a "Ucrânia deve encerrar a subtração ilegal de gás russo destinado aos consumidores europeus e retomar urgentemente seu trânsito", enquanto confirmou a disposição de Moscou de retomar o diálogo.

"Em vez de escrever cartas, deveriam trabalhar e garantir o trânsito do gás russo", declarou por sua vez o presidente da Gazprom, Alexei Miller, informa a agência "Itar-Tass".

O empresário disse que a Gazprom fornece à Europa, por meio da Ucrânia, os volumes solicitados de gás menos a quantidade desviada pela Naftogaz, que deverá repor a companhia ucraniana.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou ontem que a Ucrânia "rouba" o gás dos consumidores europeus e não a Rússia.

Enquanto isto, o presidente da Naftogaz confirmou que visitará na quinta Moscou para retomar as negociações com Miller sobre o conflito do gás e os contratos para 2009.

Troca de acusações
A empresa ucraniana Naftogaz, que transporta o combustível até a Europa, diz que a companhia russa Gazprom interrompeu totalmente o fornecimento de gás. Já a Gazprom afirma que a Ucrânia cortou o transporte após ter fechado ontem três de seus quatro gasodutos.

"Às 07h44 (3h44, horário de Brasília) foi suspenso totalmente o fornecimento de gás através da última estação de bombeamento para a Ucrânia", declarou o porta-voz Naftogaz, Valentín Zemlianski. Ao não receber combustível, a Naftogaz se vê "obrigada a interromper totalmente o fornecimento de gás à Europa".

"A Ucrânia fechou o último gasoduto, o quarto, por meio do qual o gás russo era fornecido à Europa", rebateu o vice-presidente da Gazprom, Aleksandr Medvedev.

A declaração foi desmentida em Kiev pelo presidente da Naftogaz, Oleg Dubina, que disse que "fechar a torneira só é possível do lado russo. A Ucrânia fisicamente não pode fechá-la e não permitir a entrada de gás russo".

Dubina afirmou ainda que Moscou suspendeu o fornecimento sem avisar Kiev, e a Naftogaz se viu obrigada a colocar seus gasodutos em "regime autônomo de funcionamento" e usá-los apenas para levar o gás próprio dos depósitos para os consumidores ucranianos.

Entenda
A Gazprom cortou o fornecimento de gás para a Ucrânia no dia primeiro de janeiro após fracassar a tentativa de acordo com a Naftogaz sobre seu preço em 2009 e a tarifa de passagem por território ucraniano.

A empresa russa prosseguiu fornecendo gás para a Europa enquanto acusava a Naftogaz de "roubar" combustível.

Através da Ucrânia passa 80% do gás que a Gazprom vende para a Europa, enquanto o restante transita por território bielo-russo.

* com agências internacionais.

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