Paris, 23 mar (EFE).- O Ministério de Economia, Indústria e Emprego francês prepara uma lei para regular os salários dos dirigentes de grandes empresas, após o escândalo pelo pagamento em opções de compra de ações de algumas companhias que receberam ajuda estatal, informa hoje a imprensa local.
Os dirigentes do banco Société Générale renunciaram ontem ao recebimento de suas opções de compra de ações (stock options) diante das pressões da imprensa e do Governo francês.
O banco, que recebeu ajuda da França no valor de 1,7 bilhão de euros, anunciou na quarta-feira passada que iria manter seu plano de pagamento em opções de compra de ações para seus quatro principais dirigentes, o que provocou uma saraivada de críticas.
Diante de tal pressão, os dirigentes anunciaram ontem à noite que renunciavam a essas stock options.
Enquanto isso, a ministra de Economia, Indústria e Emprego francesa, Christine Lagarde, e vários deputados conservadores se mostraram favoráveis à elaboração de uma lei para regular este tipo de remuneração.
A ministra assegurou que há uma reflexão para determinar se o pagamento em opções de compra de ações é "eficaz e moral".
Lagarde não descartou a possibilidade de este sistema de remuneração "passar pela lei" e anunciou que, caso o faça, seria "pela via fiscal", sem dar mais detalhes.
O secretário-geral do UMP (partido aliado ao Governo francês), Xavier Bertrand, também se mostrou favorável à reforma do sistema de pagamento em opções de compra de ações.
O pagamento das bonificações aos dirigentes de grandes empresas já provocou polêmica na França há alguns meses, quando o Estado francês aprovou conceder ajuda às montadoras de automóveis, mas obrigou seus diretores a renunciar à parte variável de seus salários.
Segundo um estudo, apenas 23,23% dos salários dos dirigentes das 120 principais empresas da França tem caráter fixo. Entre o restante do valor, 30,93% corresponde a stock options, 14,33% vem na forma de ações gratuitas e 31,51% é recebido via outras variáveis.