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04/07/2009 - 17h13

México: Eleições são primeira prova política de Calderón

ANSA
CIDADE DO MÉXICO, 4 JUL (ANSA) - As eleições nacionais que ocorrem amanhã no México são encaradas no país como a primeira grande prova política do presidente Felipe Calderón, eleito em 2006 por uma vantagem mínima de votos, de apenas 0,56%, e sob acusações de fraude.

Sua agremiação política, o direitista Partido Ação Nacional (PAN), ocupa a segunda posição para o pleito, segundo pesquisas divulgadas nas últimas semanas.

A votação deste domingo renovará as 500 cadeiras da Câmara dos Deputados e elegerá governadores de seis estados: Campeche, Colima, Nuevo León, Sonora, Querétaro e San Luis Potosí.

Também haverá disputas municipais em diversas regiões, tanto no âmbito Executivo quanto no Legislativo. De acordo com um levantamento divulgado pela consultoria Mitofsky, o PAN reúne 29% de respaldo e perde para o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que tem 34%.

O PRI governou o país por 71 anos ininterruptos até 2000, quando chegou ao poder Vicente Fox, do PAN. A outra grande força política mexicana é o Partido da Revolução Democrática (PRD), que para este pleito conta com apenas 13% de apoio do eleitorado.

Há três anos, no entanto, quando Calderón venceu nas urnas, o PRD esteve muito perto de ocupar a presidência. Seu candidato, Andrés López Obrador, questionou a derrota por tão poucos votos e convocou uma série de marchas na capital Cidade do México para resistir aos resultados oficiais.

Desde então, Obrador se autoproclama "presidente legítimo" e faz campanhas para denunciar atos de corrupção e tráfico de influência ocorridos no interior do gabinete de Calderón.

O atual presidente, um advogado de 47 anos que estudou Administração Pública na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, tem como principal bandeira de sua gestão o combate ao narcotráfico.

Desde o início de seu mandato, ele enviou para as ruas cerca de 36 mil militares, que tem como missão desmantelar os poderosos cartéis da droga que guerreiam entre si em diferentes partes do país, abastecidos com armas norte-americanas que cruzam a fronteira clandestinamente.

Estima-se que, desde o início de 2008, 7.700 pessoas tenham sido assassinadas em crimes ligados ao narcotráfico no México. Calderón, porém, acredita que o recrudescimento da violência se deve ao fato de que as organizações criminosas estão sendo "encurraladas" por forças oficiais.

Quanto à população, pesquisas mostram que de cada 10 mexicanos, oito apoiam a decisão do mandatário de enviar militares para as ruas. Além da segurança pública, outros dois importantes desafios se colocaram diante de Calderón nos últimos meses.

O primeiro foi a crise, que atingiu o país de maneira especial devido aos fortes laços econômicos mantidos com os Estados Unidos. O segundo, e mais recente, foi a epidemia da gripe A (H1N1), notificada pelas autoridades mexicanas à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 23 de abril. Ainda assim, o presidente sustenta níveis de aprovação que superam os 60%.

Campanha Na campanha para as eleições, a batalha contra o narcotráfico se transformou no carro-chefe dos argumentos usados pelo PAN para pedir votos, sob o lema "não deixe que o México caia nas mãos do crime organizado".

A cúpula do partido acusa o maior rival, o PRI, de não combater os cartéis durante as décadas em que esteve no poder, em uma postura que variou entre a omissão e a cumplicidade.

A principal disputa se dá pela maioria na Câmara dos Deputados. Hoje, a casa é formada por 206 legisladores do PAN, 126 do PRD e 106 do PRI. O restante se divide entre cinco partidos menores.

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