TEGUCIGALPA, 5 JUL (ANSA) - O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, reafirmou sua disposição para regressar ao país ainda hoje, apesar das restrições já anunciadas por autoridades de Tegucigalpa.
Em uma entrevista concedida diretamente do avião que o leva a Honduras, ele reiterou que não reconhece o governo de facto do país, encabeçado pelo presidente Roberto Micheletti, e que por isso as ordens dadas por esta administração não podem ser consideradas legítimas.
"O presidente constitucional, eleito pela vontade do povo, está viajando neste avião e tem toda a autoridade moral, política e jurídica para dar ordens às Forças Armadas", disse.
"Sou o comandante das Forças Armadas e peço aos oficiais que abram o aeroporto para que eu possa chegar e abraçar meu povo. A Constituição proíbe que um hondurenho seja expulso do país, e estou voltando à minha pátria com todos os meus direitos", prosseguiu.
No diálogo com a rede Telesur, Zelaya confirmou que viaja acompanhado do presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, de sua chanceler, Patricia Rodas, e do embaixador hondurenho ante a Organização dos Estados Americanos (OEA), Carlos Sosa.
Pouco antes, o diretor da Aeronáutica Civil de Honduras, Alfredo San Martín, informou que o avião de Zelaya deverá se dirigir a El Salvador, pois não poderá ingressar no espaço aéreo nem pousar em qualquer aeroporto do país.
Em uma mensagem transmitida em cadeia nacional, o funcionário afirmou que as autoridades que controlam o tráfego aéreo não receberam os dados da aeronave, que por este motivo não terá autorização para sobrevoar o território hondurenho.
Em Tegucigalpa, milhares de simpatizantes do mandatário deposto se dirigem ao aeroporto internacional para aguardá-lo. O local é patrulhado desde o início do dia por militares.