TEGUCIGALPA, 4 NOV (ANSA) - O ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que integra a Comissão de Verificação do pacto firmado na última semana para tentar pôr fim à crise hondurenha, afirmou hoje que a prioridade neste processo deve ser a formação do governo de unidade nacional.
Segundo ele, o chamado acordo Tegucigalpa-San José, assinado pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, e pelo governante de facto, Roberto Micheletti, contém os fundamentos para solucionar com êxito o impasse desencadeado pelo golpe de Estado de 28 de junho.
Ao se referir à formação de um governo de unidade nacional, um dos pontos previstos pelo tratado, Lagos afirmou que esta é uma decisão que cabe especialmente aos hondurenhos.
"São eles que vão trabalhar para formar o governo de unidade, cuja configuração terá de ser objeto de um diálogo com outros poderes do Estado", ponderou.
Lagos integra, ao lado da secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solis, a comissão responsável por acompanhar o cumprimento do acordo, cuja determinação principal é a transferência ao Congresso da decisão final sobre a restituição de Zelaya.
Também compõem o grupo Jorge Reina e Arturo Corrales, que no diálogo que levou ao pacto representaram Zelaya e Micheletti, respectivamente.
De acordo com o texto da medida, o novo governo de unidade deveria ser formado até no máximo amanhã. Esta é uma das pré-condições para a realização e o reconhecimento das eleições do dia 29 de novembro, nas quais será escolhido o sucessor de Zelaya, cujo mandato chegaria ao fim no dia 27 de janeiro de 2010.
O presidente deposto, porém, pressiona os parlamentares para que emitam seu parecer rapidamente, condicionando a formação do governo de coalizão a seu retorno ao poder.
Lagos ressaltou, por sua vez, que o processo deverá ser conduzido por etapas. "Devemos ir passo a passo para avançar nos temas mais importantes", argumentou.
Em sua primeira jornada em Tegucigalpa, a Comissão de Verificação se reuniu com Zelaya, Micheletti, os seis candidatos à presidência, representantes do Tribunal Supremo Eleitoral e membros do Congresso, segundo informações do jornal local El Heraldo.
"Foi uma experiência notável constatar a vontade de todos e o entendimento de que é preciso deixar para trás o período de confrontação", disse o ex-presidente chileno.
"Com o sucesso na implementação deste acordo, são abertas as portas para a cooperação internacional", complementou Solis, que disse esperar uma votação pacífica e transparente para novembro.