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 Internacional

14/05/2004 - 12h13
Fidel lidera gigantesca passeata em Havana contra política americana

HAVANA, 14 mai (AFP) - O presidente cubano, Fidel Castro, liderou nesta sexta-feira em Havana uma gigantesca passeata, na qual milhares de pessoas condenaram "a política fascista" do governo americano em relação à ilha, depois que foram anunciadas novas sanções ao país.

Usando seu tradicional uniforme verde oliva, Castro desfilou à frente de uma multidão calculada oficialmente em "mais de um milhão de pessoas", pela avenida à beira-mar do Malecón, em frente do Departamento de Interesses dos Estados Unidos em Havana.

Minutos antes, Fidel Castro leu uma "Proclamação de um adversário do Governo dos Estados Unidos", dirigida ao presidente George W. Bush, na qual garantiu que em caso de invasão ao seu país estará "no front para morrer em defesa da pátria".

Castro destacou que a multidão "não se reúne em gesto hostil contra o povo dos Estados Unidos" nem também para preocupar qualquer "funcionário, empregado e guardas" da missão diplomática norte-americana.

A passeata foi realizada em protesto contra o programa americano para uma "transição democrática" na ilha, anunciado quinta-feira da semana passada por Bush, que provocou irritação em Havana e a contestação inclusive de vários líderes da dissidência interna da ilha.

"É um ato de indignado protesto e uma denúncia contra as brutais, impiedosas e cruéis medidas que seu governo acaba de adotar contra nosso país", disse Castro no texto dirigido a Bush, que assinou em nome do "Povo de Cuba".

Esse plano prevê o reforço do embargo que os Estados Unidos mantêm à Cuba há 43 anos, destina milionárias quantias à oposição interna e à transmissão das emissoras de rádio e televisão Martí, enquanto limita as viagens de cubano-americanos à ilha.

Centenas de milhares de pessoas, reunidas desde a noite da quinta-feira e transportadas por centenas de ônibus, ocuparam desde as primeiras horas da madrugada as ruas próximas do Malecón, para desfilar em frente ao Departamento de Interesses dos Estados Unidos, a maioria usando camisas vermelhas, levando pequenas bandeiras cubanas e fotos de Bush usando um bigode no estilo de Adolfo Hitler.

Castro disse a Bush que o objetivo de suas palavras não era "ofendê-lo nem insultá-lo", apenas "lembrar-lhe algumas verdades". "O senhor não tem moral nem direito algum de falar de liberdade, democracia e direitos humanos, quando ostenta o poder suficiente para destruir a humanidade e com ele tenta impor uma tirania mundial", adiantou.

Enfatizou que "este povo (o cubano) pode ser exterminado, varrido da face da terra, mas jamais subjugado nem humilhado", adiantou. Os organizadores acreditam que esta foi a maior passeata realizada em Cuba nos 45 anos de governo comunista.

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