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02/09/2004 - 15h12
Brasil vira o paraíso do cinema pornô internacional

SÃO PAULO, 5 set (AFP) - Belas mulheres, praias maravilhosas, baixos custos de produção, leis maleáveis e os travestis mais cotados do mundo fazem do Brasil um paraíso para a indústria do cinema pornô internacional, o que irrita os brasileiros que tentam levar suas produções para Europa e Estados Unidos.

Este é um fenômeno recente, iniciado quando o real se desvalorizou fortemente nos últimos dois anos e as produtoras internacionais carregadas de dólares e euros passaram a voltar seus olhos para os trópicos brasileiros.

Até mesmo as preferências étnicas e geográficas estão bem definidas: "Os americanos vão ao Rio de Janeiro e a São Paulo atrás de atrizes brancas, os alemães e espanhóis filmam em Recife porque vão atrás das negras", explicou o produtor Luiz Alvarenga.

Os produtores nacionais começaram a demonstrar irritação porque consideram este fenômeno uma invasão estrangeira fora de controle.

"A produção três anos atrás era de brasileiros. Hoje estamos sendo invadidos por americanos. Eles são um grande perigo para nós, entram no Brasil como turistas, com o poder do dinheiro, dizem às moças que são imunes à Aids, que os filmes não serão divulgados no Brasil e depois partem, sem prestar contas", denunciou Alvarenga, representante da Brasileirinhas, empresa que lidera o mercado mundial de filmes pornô.

"Deveríamos nos organizar para que esta situação fosse controlada e para que estas produções estrangeiras utilizassem nossa infra-estrutura", avaliou Stanley Miranda, chefe de outra grande produtora brasileira, a Buttman.

Os visitantes dizem que os 'locais' protestam porque nunca tiveram competência e porque atores e atrizes os preferem porque pagam melhor, explicou um diretor americano que pediu o anonimato.

No Brasil "você pode fazer um filme de 90.000 dólares por 30-40.000, o que possibilita filmes espetaculares com um orçamento mais aceitável para a economia atual", explicou à revista Adult Video News (AVN) o diretor John T. Bone, que está se instalando em São Paulo.

Os brasileiros superam muitos obstáculos para exportar sua produção, especialmente concentrada nas "jóias" dos trópicos: travestis, atrizes quentes e muitíssimos dispostas, atores bem-dotados e belas paisagens naturais.

Sócio da Unifilme - uma das principais empresas que exporta para Itália, Portual e Estados Unidos via Internet -, Haroldo Caldeira disse que sem dúvida "o que mais se busca são os travestis brasileiros".

Outros atrativos deste país apaixonado pelo bumbum feminino e por cenas de sexo anal, são "a sensualidade das nossas mulheres, nossas paisagens naturais e o Carnaval", explicou o diretor Marcelo Storelli.

"Quando nós, brasileiras, atuamos, passamos prazer sexual; as européias e americanas são muito profissionais, mas seu sexo é mecânico", avaliou a atriz Lana Sparck.

Na área masculina, no momento desta entrevista, Brasileirinhas assinava um contrato com "Kid Bengala", um negro brasileiro de 50 anos que, com um membro de 28 centímetros exatos, promete se tornar a próxima sensação internacional com o filme já intitulado de "Kid Canyon". Outro nicho de mercado é o pornô gay brasileiro.

As produções brasileiras que exploram gostos mais extremos também têm boa saída internacional, amparadas por uma legislação mais permissiva que em outros países, como os Estados Unidos, altamente restritivos em relação à obscenidade.

Os estrangeiros, por exemplo, chegam ao Brasil procurando filmes de sexo com animais, que incluem belas jovens apaixonadas por cães e cavalos. "O cliente principal é a França, um grande consumidor de filmes com animais", explicou o produtor da Brasileirinhas.

No Brasil, a única grande restrição para o cinema pornográfico é a utilização de menores de idade, totalmente proibido e perseguido. O resto não está previsto na lei, "o que é uma saída para a exportação porque em outros países, como nos Estados Unidos, (tudo) é muito restrito", explicou o produtor da Buttman.

Definitivamente, "a indústria brasileira está crescendo, tem condições de chegar a ser a maior exportadora do gênero, mas precisa que o setor se organize", disse Miranda.

O cinema pornô brasileiro fatura 100 milhões de reais ao ano (pouco mais de 30 milhões de dólares), contra os bilhões da indústria americana, segundo a Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme).

O cinema pornô brasileiro é dominado por uma dezena de produtoras, que lançam 40 títulos por mês, contra 13.000 nos Estados Unidos. Mais de 50% dos filmes do gênero vistos no país são importados.

Mesmo assim, especialistas consideram que a indústria brasileira do cinema pornô é a maior da América Latina e uma das mais promissoras do mundo.

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