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22/09/2004 - 16h06
Indústria americana do fumo admite que seu produto mata
WASHINGTON, 22 set (AFP) - As grandes fabricantes de cigarros americanas reconheceram nesta quarta-feira que vendem um produto que leva à morte, ao mesmo tempo em que tentaram rebater os argumentos do governo, que as acusa de enganar o público durante anos e de visar aos jovens com uma publicidade milionária para transformá-los em viciados, motivo pelo qual pede o pagamento de uma multa de 280 bilhões de dólares.
"Sejam 'light' ou 'com menos alcatrão', não existem cigarros saudáveis", reconheceu Ted Wells, advogado da Philip Morris, no segundo dia do julgamento contra as cinco principais fabricantes de cigarros americanas.
Os advogados das empresas declararam que estas não escondem mais que "seu produto é perigoso" e dizem que estas devem ser julgadas por seu comportamento atual e não pelo passado.
"Hoje em dia, cada uma das acusadas diz ao público de forma clara e sem ambigüidades que fumar é perigoso e causa doenças", acrescentou Wells. A Philip Morris controla a metade do mercado americano do tabaco.
O governo acusa os fabricantes de cigarros de terem escondido durante anos as provas sobre os riscos inerentes ao fumo, de ter visado deliberadamente aos jovens para transformá-los em viciados por toda a vida e de mentir, sugerindo que os cigarros 'light' são menos nocivos.
"Se conseguiram dinheiro de forma fraudulenta, esse dinheiro não lhes pertence", afirmou o advogado do governo, Frank Marine, no primeiro dia de julgamento.
As empresas acusadas "mantiveram de forma fraudulenta a confusão em relação ao nexo de casualidade entre o tabaco e os problemas de saúde", explicou.
Em 1998, a indústria do tabaco já tinha aceitado pagar 206 bilhões de dólares a 46 estados americanos num período de 25 anos para cobrir as despesas com fumantes no sistema de saúde.

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