WASHINGTON, 1º Nov (AFP) - A imprensa americana denunciou nesta segunda-feira o sistema eleitoral do país e a organização do pleito, que corre o risco de ser acusada mais uma de irregularidades.
"O sistema de votação - um caos", estampou um editorial dos Los Angeles Times. "Apesar de ser certo de que cada voto conta (nesta eleição tão acirrada), não é tão seguro de que cada cédula de votação vá ser contada", destacou o jornal da costa oeste, que espera o atraso no anúncio dos resultados, como em 2000, e chama atenção para a incompetência, a fraude e as legislações contraditórias (...) nos estados, o que só ameaçariam o sistema de votação.
"Tudo isso podia ser evitado", acrescenta, ressaltando que medidas poderiam ter sido implementadas, sobretudo no Congresso, para evitar prováveis denúncias e questionamentos.
"Quatro anos depois da designação do presidente pela Suprema Corte, o direito ao voto continua sendo manco", destacou o Los Angeles Times.
O The New York Times assume, por sua vez, um tom jocoso sobre as eleições, publicando 'um manual' para votar. "O que fazer no dia das eleições", perguntou o jornal, afirmando que, ao contrário do que se pode pensar, votar é uma 'tarefa difícil'. O jornal de Nova York denuncia a inexatidão dos padrões eleitorais, as regras diferentes e as contradições sobre a apresentação dos documentos de identidade, advertindo os eleitores dos estados decisivos de que devem lutar para que seu voto seja realmente contabilizado. Já o The Washington Post critica o sistema eleitoral americano e o princípio de designação presidencial através dos grandes eleitores (delegados do Colégio Eleitoral).
"Uma grande parte dos americanos foi deixada de lado na campanha", ressalta o jornal, que se pergunta: "O Colégio Eleitoral é uma relíquia que deve se arquivar ou ser mudada?". Em todo o caso, responde que 'por nada no mundo tomaria este exemplo de sistema eleitoral'.
O popular USA Today, um dos grandes jornais do país que não tomou posição por um candidato, frisou nesta segunda-feira que esta atitude não faz parte da sua forma de pensar o processo eleitoral.
Por ouro lado, o The Wall Street Journal afirma que se "Bush não vier a ser reeleito, não será por ter desejado fazer pouco, mas devido à maioria dos americanos, nostálgicos da calma ilusória dos anos 90 e confrontados com o hábito do atual presidente em acelerar a história', preferirem uma pausa".