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 Internacional

09/11/2004 - 11h15
Iasser Arafat: um clandestino transformado em figura emblemática

Por Xavier Baron

PARIS, 9 nov (AFP) - Figura emblemática há mais de 30 anos, o presidente palestino Iasser Arafat passou boa parte de sua vida na clandestinidade e no anonimato. No entanto, Arafat foi o primeiro dirigente palestino a ganhar notoriedade, pelo menos parcial, quando em abril de 1968 foi nomeado porta-voz oficial de uma organização desconhecida, o Fatah, do qual foi um dos fundadores nos anos 50.

Durante seus anos na Jordânia e no Líbano (1960-1970), entrevistá-lo era geralmente algo fortuito ou que só acontecia após insistentes solicitações. Após a espera dos jornalistas durante horas em frente a um edifício do bairro palestino de Beirute, ele aparecia à meia-noite, de repente, para denunciar os ataques israelenses contra os acampamentos palestinos ou reiterar que os refugiados não renunciariam jamais à Palestina.

Vários anos depois, em 1987, em Bagdá, as regras para uma entrevista de Arafat não haviam mudado: dois dias de espera em um hotel e, subitamente, a chegada a toda velocidade de um carro repleto de guarda-costas percorria as ruas da cidade até parar em uma residência.

Nova espera por Arafat, que apareceu de uniforme militar e kefieh, mostrando um sorriso e a mão estendida. O líder tinha sempre tudo preparado e tomava cuidado para ter um tom doce antes de começar a falar.

"Jamais haverá uma conferência de paz sem a OLP - Organização para a Libertação da Palestina", afirmou de forma resoluta.

Até os anos 70 suas fotos eram escassas e somente era visto como um dos chefes de uma pequena guerrilha palestina da qual pouco se sabia. No entanto, Arafat era recebido por Argel, Moscou e Pequim. Com o enfrentamento de 1970 com o Exército real, na Jordânia, Arafat se converteu rapidamente em uma personagem de primeiro plano no Oriente Médio, mesmo que para os jornalistas conseguir acompanhá-lo fosse ainda uma odisséia.

Arafat escapou de um atentado no sul da Síria, quando se acreditava que ele estava em um acampamento palestino ao norte do Líbano. Perfeitamente adaptado à clandestinidade, não dormia nunca duas noites no mesmo lugar ou aparecia onde não era esperado e em horas improváveis. Chegava muitas vezes de kefieh, um gorro militar ou mesmo uma chapka - gorro dos cossacos.

Quando Ariel Sharon tentou capturá-lo durante o cerco a Beirute em 1982, seus métodos de clandestinidade deram provas concretas de eficácia. Após dois meses sendo perseguido por Israel, no dia 30 de agosto, os franco-atiradores da Legião Estrangeira francesa retiraram Arafat do país através do porto de Beirute a partir de um edifício vizinho que estava sob estrita vigilância dos serviços secretos do Estado judaico.

O grande acontecimento que haveria de convertê-lo em figura fácil dentro da comunidade internacional foi o seu discurso nas Nações Unidas, no dia 13 de novembro de 1974.

Arafat apareceu na madrugada em Nova York e se dirigiu diretamente à sede da ONU, ainda deserta naquele momento.

Em cenário um tanto irreal, viu-se caminhar pelos corredores do edifício internacional acompanhado de quatro pessoas. O líder árabe estava barbeado, com seu tradicional kefieh e vestido com jaqueta clara e calça escura.

Visivelmente emocionado e feliz, Arafat declarou a um jornalista: "Estou aqui pela Palestina".

Uma hora mais tarde, declarou ante a Assembléia Geral: "Cheguei trazendo um ramo de oliveira e um fuzil de revolucionário. Não deixem que o ramo de oliveira caia da minha mão".

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