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11/11/2004 - 17h29
Permanece o mistério em torno das causas da morte de Yasser Arafat
PARIS, 11 nov (AFP) - O mistério em torno das causas da morte do presidente palestino Yasser Arafat esta quinta-feira continua intrigando a todos.
"Não cabe ao Serviço de saúde do Exército revelar os fatos que são apresentados à família", informou à AFP o clínico-geral Christian Estripeau, assessor de imprensa do Serviço de Saúde do Exército francês.
Oficialmente, Yasser Arafat foi internado no hospital militar de Percy devido a complicações decorrentes de uma gripe intestinal. Essa "gripe intestinal" já havia sido mencionada no passado para explicar problemas de saúde do presidente da Autoridade Palestina, quando um jornal britânico afirmou, em 2003, que o dirigente palestino havia sido vítima de um ataque cardíaco.
As hipóteses de um câncer, de leucemia ou de um envenenamento se sucederam entre sua admissão no hospital, no dia 29 de outubro, e sua morte, na madrugada desta quinta-feira. Elas foram todas desmentidas por assessores do dirigente palestino.
O primeiro boletim médico oficial divulgado após sua internação em Percy descartava a eventualidade de uma leucemia, confirmando apenas "anomalias sangüíneas".
Arafat foi hospitalizado em uma unidade de hematologia antes de sua transferência, cinco dias mais tarde, em 3 de novembro, para uma Unidade de Tratamento Intensivo, e seu quadro ficou subitamente agravado.
No dia seguinte à sua transferência, uma fonte médica francesa informou à AFP que Arafat estava imerso em um coma "muito profundo de estado 4", portanto, um estado de "morte cerebral".
O termo morte cerebral significa, na realidade, apenas morte. O corpo pode ainda possuir a aparência de alguém com vida graças às máquinas e à respiração artificial. O paciente respira, o coração bate, os órgãos funcionam.
A delegação de Arafat qualificou, no entanto, este coma de "reversível", enquanto que o Serviço de Saúde anunciou apenas um estado "estável", no dia 5 de novembro, ou ainda "estacionário", no dia 8 de novembro. No dia seguinte, enquanto os quatro dirigentes palestinos o visitavam, seu estado, informou o clínico-geral Estripeau, "se agravou durante a noite" e seu "coma tornou-se mais profundo".
As informações desencontradas sobre a morte, seguidas de desmentidos, se sucederam nestes últimos dias, parecendo tratar-se da hipótese de "morte clínica", cujo anúncio parecia depender de uma decisão puramente política: onde Arafat seria enterrado.
Somente uma declaração da família de Yasser Arafat, principalmente de sua viúva Suha, de 41 anos, poderá revelar o segredo médico em torno da causa de falecimento do líder histórico palestino.

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