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 Internacional

02/04/2005 - 17h41
João Paulo II, um Papa determinado num mundo em mutação

Por Christian SpillmannCIDADE DO VATICANO, 2 abr (AFP) - Determinação e tenacidade guiaram o pontificado de João Paulo II, que morreu neste sábado no Vaticano.

O Papa polonês dirigiu a Igreja Católica por mais de um quarto de século e as jovens gerações católicas conheceram apenas ele.

Enfraquecido pela doença contra a qual lutou corajosamente durante anos, João Paulo II foi outrora um homem robusto, um grande esportista.

Karol Wojtyla tinha 58 anos quando foi escolhido, em 16 de outubro de 1978 para comandar a Igreja Católica, imprimindo sua marca desde o início do pontificado.

O Papa enfrentou rapidamente a Cúria romana, desdenhando o trono utilizado por seus predecessores para fazer corpo-a-corpo com a multidão, deixando-se tocar, sempre sorridente, levantando crianças em seus braços.

A praça São Pedro e o Estado do Vaticano se tornaram rapidamente pequenos demais para ele. Para comungar diretamente com os fiéis, João Paulo II passou então a multiplicar as viagens, sempre com cobertura exaustiva da imprensa.

Seu carisma tornou-se evidente. Adolescente, João Paulo II era apaixonado por teatro. Guardou desta fase de sua vida um grande senso de comunicação e qualidades incontestáveis de orador.

O sucesso foi imediato, principalmente na América Latina, onde a mídia, particularmente criativa, o batizou de "o atleta de Deus", ou o "globe-trotter do evangelho".

Apesar de João Paulo II não ser muito alto - 1,76 m -os fotógrafos o transformaram num gigante nos primeiros anos de seu pontificado, e esta imagem perdurou até o atentado de 13 de maio de 1981.

O início de sua decadência física começou no dia em que quebrou o fêmur, em 29 de abril de 1994. Em seguida, apareceu o Mal de Parkinson.

O mundo inteiro acompanhou a degradação de sua saúde, mostrada pelas câmeras de televisão.

"O Papa doente, mas ainda não morto, saúda vocês", brincou João Paulo II no início de um discurso pronunciado em 21 de novembro de 1993.

"A Igreja se governa com a cabeça, e não com a pernas", sentenciava, diante de seus preocupados visitantes.

João Paulo II é um sobrevivente; ele viveu a Segunda Guerra Mundial, resistiu ao nazismo e ao stalinismo, e contribuiu para a queda do Muro de Berlim, que marcou o desmoronamento do comunismo na Europa.

Homem de Deus, homem de paz, os combates de João Paulo II nem sempre foram coroados de sucesso. Ele viu o Oriente Médio pegar fogo e entrar em guerra, teve de lutar contra o fundamentalismo islâmico e o terrorismo religioso. O Papa também não pôde impedir a África de ser submergida por conflitos, nem ajudá-la a combater a pandemia da Aids.

Político, João Paulo II também se destacou como um líder espiritual, nem de direita, nem de esquerda.

Além de 10.000 discursos e 14 encíclicas, ele levou a Igreja a tratar de quase todos os assuntos: ideologias, modelos econômicos, racismo, meio ambiente, revoltas populares e guerrilhas, subdesenvolvimento, dívida dos países pobres, segurança e desarmamento.

João Paulo II também sempre foi aberto aos problemas do mundo e ao diálogo inter-religioso com o Islã e com as demais religiões não cristãs. mas manteve uma linha ultraconservadora em questões relativas à família e à moral.

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