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02/04/2005 - 17h50
João Paulo II e sua forte ligação com a juventude
CIDADE DO VATICANO, 2 abr (AFP) - A compreensão e a cumplicidade com os jovens marcaram o pontificado de João Paulo II, que morreu neste sábado em seus aposentos no Vaticano, com os movimentos católicos vivendo um verdadeiro renascimento, ocupando um lugar privilegiado na Igreja.
O chefe da Igreja Católica demonstrou sempre uma grande disponibilidade para os jovens, que encontrava nas manifestações organizadas por eles durante suas viagens pastorais, com os quais brincava e cantava.
Com isto, o Papa conseguiu falar de seus princípios, sua posição contra o aborto e a contracepção, inclusive durante grandes jornadas, como a que aconteceu durante sua visita a Sevilha (Espanha) e à Cidade do México.
Os jovens entoavam serenatas em frente da sua janela e ele mesmo dedicava tempo para escutar com atenção seus problemas, suas angústias sobre a sociedade moderna e sobre a relação com a Igreja.
No início de seu pontificado, em sua residência de verão de Castelgandolfo, perto de Roma, convidava grupos de jovens a passar a noite diante da chaminé, entoando com eles músicas polonesas e lembrando história das montanhas.
Em 1984, durante o Jubileu, o Papa organizou a Jornada Mundial da Juventude, o que permitiu dialogar constantemente com milhares de jovens de todo o mundo.
As jornadas de Buenos Aires, São João de Compostela, Czestochowa, Denver, Manila, Paris e Roma representaram para João Paulo II um apelo para permanecer jovem e despertaram o entusiasmo de seus participantes, que chegaram a algumas destas capitais a pé, de bicicleta e até a cavalo.
O Papa jamais escondeu que contava que os jovens o acompanhassem no terceiro milênio do cristianismo. "Vocês são a esperança da Igreja e do mundo. Vocês são a minha esperança", declarou no início do seu pontificado Karol Wojtyla, ao anunciar sua missão como pastor da Igreja.
"Cabe a vocês a missão de garantir ao mundo a presença de valores como a liberdade religiosa, o respeito às pessoas, a proteção do direito à vida, a promoção da família, a valorização das diversidades culturais em favor do enriquecimento mútuo, a proteção do equilíbrio ecológico ameaçado", afirmou em Czestochowa.
"Vocês deverão ter claro que o futuro da paz e, portanto o futuro da humanidade, depende das suas decisões", repetiu o pontífice no início do terceiro milênio.

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