|
|  |


| Internacional |
 |
02/04/2005 - 18h00
Da Polônia à Ásia, católicos sofrem e rezam pelo Papa
PARIS, 2 abr (AFP) - Da Polônia ao México, da África à Ásia, a emoção estava em seu ponto mais forte entre os católicos no mundo inteiro, uma comunidade de mais de um bilhão de pessoas em todos os continentes, mas também entre fiéis de outros credos, mobilizados pela agonia do Papa João Paulo II, que morreu no começo da noite no Vaticano.
"O Santo Padre morreu esta noite às 21h37 locais (16h37 Brasília) em seus aposentos privados", anunciou o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, colocando um fim nas incertezas de milhares de fiéis que ao longo do dia não pararam de orar pelo Sumo Pontífice.
Paris, Nova Délhi, passando por Colônia na Alemanha, Moscou, Belém, Bagdá, Nova York, Sydney, Nairóbi e Abdjan, ou em locais de peregrinação como Fátima em Portugal; Lourdes na França, e Czestochowa na Polônia há missas e romarias especiais pelo Santo Padre polonês.
Mesmo na China, onde a oposição à autoridade do Vaticano sobre os católicos é coibida, era grande a preocupação ante a iminente morte de João Paulo II, mesmo que a imprensa oficial não tenha informado sobre o seu grave estado de saúde.
Também surpreendente foi a divulgação pela televisão cubana do pronunciamento do cardeal Jaime Ortega Alamino aos católicos da Ilha, pedindo orações pelo Sumo Pontífice que se encontrava a um passo da morte.
De qualquer forma, os dois jornais de circulação nacional em Cuba, Granma e Juventud Rebelde, sob o controle do Estado, não mencionaram a agonia do Santo Padre nas suas edições deste sábado.
A situação do Papa abriu os noticiários televisivos da Rússia, algo excepcional já que habitualmente as primeiras notícias são dedicadas ao presidente Vladimir Putin. A Igreja Ortodoxa russa acusou em várias ocasiões o Vaticano de proselitismo.
Na ilha idonésia de Nias, afetada pelo tremor que deixou 1.300 mortos, foi realizada uma missa na catedral de Santa Maria de Gunung Sitoli, no momento transformada em necrotério.
Enquanto isso, em Roma milhares de peregrinos se mantinham firmes em orações pela saúde do Santo Padre na Praça de São Pedro, embaixo da janela de João Paulo II.
Em Jerusalém e Belém, onde surgiu o cristianismo há dois mil anos, os palestinos cristãos seguiam as notícias com angustia até o desfecho na noite deste sábado.
Em Wadowice, cidade natal de Karol Wojtyla, os fiéis encheram as igrejas. O ex-presidente polonês e Prêmio Nobel da Paz, Lech Walesa, afirmou que se não fosse pelo Papa, o comunismo só teria caído sob muito sangue.
Na América Latina - a região mais católica do mundo com 528 milhões de fiéis - os cardeais pediram a todos para orar.
No Brasil, o cardeal Claudio Hummes, cujo nome é cotado para suceder João Paulo II, pediu a Deus que o consolasse e o fortificasse neste momento tão difícil.
Ao mesmo tempo, vários milhares de mexicanos se encaminharam neste sábado para a basílica de Guadalupe da capital do país para rezar e levar flores e velas aos pés da estátua de João Paulo II neste santuário.
O Papa esteve nesta basílica em quatro de suas cinco visitas ao México.
Em Paris, os turistas que visitavam a igreja do Sacré-Coeur aproveitaram para rezar por João Paulo II, enquanto o chanceler francês, Michel Barnier, destacava o papel considerável que ele desempenhou a favor da reunificação do continente europeu.
Em Portugal, Irlanda, Eslováquia ou Croácia, os bispos, arcebispos e cardeais pediam a todos orações.
No entanto, milhares de fiéis já haviam corrido espontaneamente às igrejas desde o anúncio da deterioração do estado de saúde do Papa, como na Lituânia, onde 75% da população são de católicos, ou nas Filipinas, país no qual a presidente Gloria Arroyo declarou que João Paulo II seguia sendo uma fonte de fortaleza.
Em Washington, o presidente George W. Bush classificou o Papa João Paulo II de inspirador e disse que rezava por ele.
O primeiro-ministro australiano John Howard também destacou o combate do Pontífice pela vitória da liberdade, que contribuiu para a queda do comunismo.
A compaixão pela saúde do Papa superou inclusive a cristandade. Neste sábado, uma oração especial foi recitada nas sinagogas de Paris em homenagem ao Papa.
Membros da comunidade muçulmana também lhe renderam homenagens, como o mais alto dignitário xiita do país, o aiatolá Mohamed Husein Fadlalá: "Esperamos que o espírito do diálogo impulsionado pela Santa Sé convença todas as religiões a se encontrar em sua fé comum em Deus".
Para o ministro palestino dos Assuntos Exteriores, Naser Al-Qidwa, João Paulo II 'consolidou as raízes da paz e a amizade entre os povos'.
Do lado israelense, o número dois do Governo, Shimon Peres, afirmou que o Papa era um verdadeiro dirigente espiritual.

|  |
|