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01/09/2005 - 11h28
Funerais em massa em Bagdá; número de mortos se aproxima de mil
Por Ammar Karim= (FOTOS) = BAGDÁ, 1º set (AFP) - O peso da tragédia pairava na região da ponte de Bagdá onde aconteceu a histérica correria de quarta-feira que matou pelo menos 965 pessoas e deixou milhares de iraquianos nesta quinta-feira à procura de parentes perdidos nos hospitais da região, ao mesmo tempo em que as primeiras procissões funerárias saíam rumo a Najaf, a cidade sagrada xiita.
Muitas crianças, mulheres e idosos afogados, esmagados ou asfixiados figuram entre as 965 vítimas da correria provocada pelo pânico na quarta-feira, após rumores sobre terroristas suicidas infiltrados na multidão que cruzava a ponte Al-Aimah rumo ao mausoléu do imã Mussa al-Kadhim.
Pelo menos 815 pessoas ficaram feridas, de acordo com uma fonte dos serviços de segurança nesta quinta-feira.
O número de vítimas não inclui as 25 pessoas mortas por consumirem produtos envenenados, segundo a mesma fonte, nem os outros sete mortos e 37 feridos em um ataque com morteiro nos arredores do mausoléu do imã al-Kadhim, pouco antes da correria.
Na manhã desta quinta-feira, milhares de pessoas aos prantos se encontravam nos arredores dos hospitais de Bagdá à procura de parentes, enquanto os primeiros funerais em massa começavam a sair de Bagdá rumo ao centro do país.
As vítimas devem ser enterradas em Najaf, a 160 quilômetros de Bagdá. O imenso cemitério da cidade, que abriga o mausoléu de Ali, o primeiro dos imãs xiitas, agora também será o repouso final dos fiéis.
Centenas de tendas fúnebres se alinhavam nas ruas dos bairros xiitas de Bagdá. Em Sadr City, principal distrito xiita, gritos e prantos eram ouvidos de longe e centenas de pessoas batiam no peito em desespero quando anunciava-se os nomes das vítimas.
"Estava procurando meu filho desde ontem entre os feridos, mas somente agora encontrei o seu corpo em um necrotério... nunca poderei aceitar sua morte", lamentava Mohammed Jafar.
Muitos acusavam os insurgentes iraquianos, sobretudo muçulmanos sunitas, de serem responsáveis de provocar a correria ao disparar morteiros contra a mesquita e causar pânico deliberado.
"Este é um genocídio contra os xiitas. É um ataque deliberado", gritava Ahmad Sabbar, de 30 anos, que procurava um parente desaparecido. Nos arredores da ponte que separa os bairros xiita de Azamiya e sunita de Kadhimiya, onde aconteceu o drama, escavadeiras municipais trabalhavam revolvendo os escombros com sandálias e roupas das vítimas.
Simples cidadãos procuravam carteiras de identidade e documentos para ajudar no reconhecimento dos mortos.
No hospital da Cidade Médica, o mais próximo do local da tragédia, três caminhões frigoríficos foram instalados no pátio e dezenas de corpos eram depositados nele.
As autoridades iraquianas disseram que a tragédia, que corre o risco de extremar ainda mais as tensões sectárias no país, foi um ato terrorista executado por homens leais ao derrocado ditador Saddan Hussein e militantes da Al-Qaeda no Iraque, dirigidos por Abu Mussab al-Zarqawi.
O primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari anunciou uma investigação, mas se absteve de lançar acusações. As autoridades xiitas não hesitaram em atribuir a responsabilidade aos rebeldes sunitas. No entanto, o líder religioso xiita, o aiatolá Ali Sistani, pediu por unidade e calma após a tragédia.
"Todos nós iraquianos devemos permanecer unidos e não fazer filas, de maneira a atrapalhar o trabalho de quem deseja provocar discórdia", declarou Sistani na cidade sagrada de Najaf.
Nenhum movimento reivindicou a responsabilidade pela correria supostamente provocada por rumores deliberados, mas um grupo ligado à Al-Qaeda no Iraque afirmou ter sido o autor dos disparos de morteiro que precederam e que caíram sobre o mausoléu do imã Kadhim, justificando o ataque como uma resposta à morte de sunitas.

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