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 Internacional

23/11/2005 - 15h53
Vaticano considera homossexuais inaptos ao sacerdócio

Por Martine NouailleCIDADE DO VATICANO, 23 nov (AFP) - O Vaticano considera os homossexuais inaptos para o sacerdócio e pede firmemente aos bispos do mundo inteiro que cessem de ordenar padres homossexuais em uma "instrução" publicada após dez anos de árduas negociações.

A agência católica italiana contestatária Adista, que antecipou a publicação deste texto em seu site, qualifica a instrução de "limpeza étnica".

O texto do Vaticano já foi objeto de vivas controvérsias, sobretudo nos Estados Unidos onde associações católicas militam ativamente para o reconhecimento dos padres gays.

A diretriz, aprovada pelo Papa Bento XVI e dirigida aos bispos do mundo inteiro, não se refere aos padres que já exercem, mas aos candidatos aos seminários e aos seminaristas que preparam o diácono.

O documento do Vaticano considera que a questão dos padres homossexuais, que não é nova na Igreja católica, "ficou mais urgente na situação atual".

Várias igrejas locais foram afetadas nestes últimos anos por escândalos sexuais, como o que levou ao fechamento de um seminário em agosto de 2004 na Áustria.

A instrução da congregação para a Educação Católica, aprovada em 31 de agosto por Bento XVI e enviada aos bispos do mundo inteiro, não se limita a apontar para os seminaristas que praticam o homossexualismo.

Também estão na linha de mira os que apresentam "tendências homossexuais profundamente enraizadas", mesmo que eles se comprometem a ficar castos pelo resto de suas vidas.

Os jovens que defendem a "cultura gay" como ela se expressa nos Estados Unidos e na Europa Ocidental também não poderão se tornar padres, destaca a instrução do Vaticano.

Ao contrário, os jovens que teriam passado por "um problema passageiro" durante a adolescência ou os primeiros anos da vida adulta poderão ter acesso ao sacerdócio, mas eles deverão ter resolvido esse "problema" "pelo menos três anos antes da ordenação diaconal".

O Vaticano destaca que a ordenação não é "um direito" e lança um apelo à vigilância a todos os que participam da formação dos seminaristas. Os "diretores espirituais", que acompanham individualmente os candidatos no dia-a-dia, têm de manter um tipo de "segredo profissional", mas são orientados a dissuadir os que candidatos que apresentam "tendências homossexuais profundamente enraizadas".

A homossexualidade sempre foi condenada pela Igreja católica, que perseguiu os padres "sodomitas" sem nunca ter conseguido resolver a questão.

Hoje, os padres cuja homossexualidade é descoberta podem permanecer em seus ministérios, desde que não façam escândalo.

Caso contrário, eles são enviados a outra paróquia ou aos diferentes serviços administrativos do Vaticano, onde não estão em contato com os fiéis, revelam fontes do Vaticano.

Segundo as mesmas fontes, a duração da gestação, particularmente longa, deste texto desejado por João Paulo II e defendido por Bento XVI poderia se explicada por reticências dentro do próprio Vaticano.

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