|
|  |


| Internacional |
 |
08/12/2005 - 18h49
Mark Chapman, o homem que matou Lennon para ficar com sua fama
NOVA YORK, 8 dez (AFP) - Em 8 de dezembro de 1980, Mark Chapman, um jovem de 25 anos com histórico de abuso de drogas e problemas mentais, atirou cinco vezes em John Lennon em Nova York, tirando-lhe a vida para ficar com um pouco da celebridade que desejava.
"Estou totalmente convencido (...) de que naquele ponto nada poderia ser feito, estou totalmente convencido disso (...) Era como um trem, um trem fora de controle, não tinha freio. Nada teria me parado", admitiu Chapman, em gravações feitas entre 1991 e 1992.
Chapman, que agora tem 50 anos, foi sentenciado em 1981 à prisão perpétua com possibilidade de sair em liberdade condicional a partir dos 20 anos de prisão efetiva. Ele cumpre a pena na prisão de Attica, no estado de Nova York. Em três ocasiões (2000, 2002 e 2004), pediu a liberdade condicional, que lhe foi negada todas as vezes.
A celebridade de Lennon fez com que cada um desses pedidos gerasse uma ampla mobilização da família do músico e de seus fãs para impedir sua saída.
"Eu mesmo o matarei, se não ficar na prisão", disse Kelsey, um dos mais de 2.000 signatários de um abaixo-assinado levado às autoridades em 2004 para que Chapman continuasse preso.
"De modo algum, deveria ser libertado esse desperdício de oxigênio e medula espinhal pelo crime que cometeu. Que apodreça na prisão e arda no inferno para sempre. Deixem a vida de John Lennon. Dêem uma oportunidade para a paz. Dêem a Chapman a morte que merece", pediu Charles Martina, de 40 anos, de Rome (Nova York).
Se a celebridade de Lennon foi o motivo escolhido por Chapman para matá-lo, é essa mesma celebridade que torna impossível sua saída da prisão.
"Ali estava um homem de sucesso que tinha o mundo aos seus pés", enquanto que "eu era apenas um homem sem personalidade (...) Recordo-me de que pensei que talvez fosse encontrar minha personalidade no assassinato de John Lennon", explicou Chapman na época.
"Cometi esse ato para chamar a atenção, para roubar, de certa forma, a celebridade de John Lennon e ficar com ela", completou.
A junta penitenciária que lhe negou a liberdade na última ocasião mencionou em sua resolução que Chapman não parece ter resolvido sua ânsia por fama.
"Seu ato mais perverso e violento esteve, aparentemente, motivado por sua necessidade de ser reconhecido. Durante esta audiência, este comitê reparou em seu contínuo interesse por manter sua notoriedade", explicou a junta.

|  |
|