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10/01/2006 - 15h31
Peregrinos em Meca começam a cerimônia de apedrejamento de Satã
MECA, Arábia Saudita, 10 jan (AFP) - Mais de dois milhões de peregrinos lapidaram três estelas representando Satã e realizaram o ritual do sacrifício degolando carneiros nesta terça-feira em Meca, no primeiro dia do Aid Al-Adha, a maior festa anual muçulmana.
Logo ao amanhecer, os peregrinos começaram a descer na direção da ponte dos Jamarat, onde ficam três estelas de 18 metros de altura cada uma simbolizando Satã.
Para o último ritual principal do hadj - a peregrinação muçulmana a Meca (oeste da Arábia Saudita) - os fiéis lançaram sete pedras contra a Jamarat al-Aqabah, o maior dos três monólitos.
Milhares de policiais acompanhavam os festejos para impedir uma repetição dos movimentos mortíferos de correria e empurra-empurra que já ocorreram no passado no local. Em 1990 e 2003, foram registrados, respectivamente, 1.426 e 251 mortos nessas circunstâncias.
Centenas de policiais vigiam a entrada dos peregrinos e não deixam entrar nenhuma bolsa ou mochila, e câmeras ultramodernas vigiam o local.
Helicópteros sobrevoam a região e dezenas de ambulâncias circulam entre a multidão.
Apesar de nenhum dos grandes projetos de desenvolvimento e de instalação de pontes suplementares prometidos pelas autoridades sauditas após a tragédia de 2003 ter sido concretizado, o fluxo de peregrinos na ponte parecia bem organizado neste ano.
O porta-voz do ministério do Interior, Mansur al-Turki, havia anunciado no domingo a elaboração de um "plano especial" para canalizar os fiéis até as estelas.
"Tudo correu bem este ano", afirmou Suleiman Fallatah, 26 anos, natural de Meca, enquanto um barbeiro lhe raspava a cabeça.
Para os peregrinos homens, raspar a cabeça é o primeiro passo que marca o fim da fase do ihram (estado de purificação ritual), no qual eles entram antes do início do hadj, domingo.
Em seguida, os fiéis se dirigem a Meca para realizar outro ritual que consiste em andar em círculos em volta da Kaaba, um santuário com formato de cubo, no centro da Grande Mesquita, e a Mina, quarta e quinta-feira, para lapidar as outras estelas.
Centenas de milhares de fiéis convergiram à Grande Mesquita terça-feira ao amanhecer para a oração especial marcando o início do Aid Al-Adha (festa do sacrifício).
Todos os peregrinos devem sacrificar um animal, geralmente um carneiro, para recordar Abraham, a quem Deus pediu que degolasse seu próprio filho Ismael para testar sua fé.
Segundo a crença, Satã tentou então convencer Abraham de desobedecer a Deus, e recebeu pedras em resposta.
Quando chegou ao local designado para o sacrifício, Deus disse a Abraham para poupar seu filho e sacrificar um carneiro.
Para seguir o percurso que o profeta Maomé fez há mais de 1.400 anos, cerca de 2,5 milhões de muçulmanos se dirigiram ao monte Arafat, ao sul de Mina, para implorar o perdão de Deus.
Antes de chegar a Mina, nesta terça-feira, muitos peregrinos pernoitaram no local sagrado de Muzdalifah, para apanhar as pedras destinadas à lapidação ritual.
O hadj é um dos cinco pilares do Islã, e deve ser realizado pelo menos uma vez na vida por todos os muçulmanos que tiverem capacidade física e financeira de fazê-lo.

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