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 Internacional

30/07/2006 - 12h51
Após ataque a Qana, Líbano se recusa a negociar com os Estados Unidos

Por Henri Mamarbachi
Em Beirute

Reuters

Homens carregam corpo de criança morta no ataque a Qana

Homens carregam corpo de criança morta no ataque a Qana

O Líbano endureceu neste domingo sua posição depois do bombardeio israelense de Qana, que deixou mais de meia centena de mortos, a maioria mulheres e crianças, ao rejeitar a partir de agora qualquer negociação com os Estados Unidos antes do fim imediato dos combates.

"O Líbano exige um cessar-fogo imediato e incondicional antes de qualquer outra coisa", afirmou o primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, comovido com a matança de Qana, uma cidade do sul de Líbano que há 10 anos já havia enterrado 105 civis depois de outro bombardeio israelense.

As negociações diplomáticas parecem ainda mais afastadas depois de a secretária de Estado americana Condoleezza Rice, esperada inicialmente em Beirute com propostas procedentes de Jerusalém, ter sido praticamente declarada "persona non grata" no Líbano, tendo que desistir da viagem.

No entanto, antes da tragédia de Qana, a idéia dos Estados Unidos de criar rapidamente um contingente multinacional autorizado a utilizar a força já parecia fortemente comprometida.

"É impossível discutir sem um cessar-fogo total e para que um cessar-fogo seja duradouro, é preciso tratar as causas do conflito", disse domingo à AFP o representante da Liga Árabe em Paris, Nassid Hitti.

Este ponto de vista é compartilhado por Timur Goksel, professor da Universidade Americana de Beirute (AUB), estimando que a mobilização de uma força de estabilização não passa de um remendo.

"A proposta americana é absurda. No melhor dos casos pode permitir ganhar tempo", segundo este ex-porta-voz da Força Interina da ONU no Líbano (FINUL).

Sábado, o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, rejeitou a idéia de uma força de estabilização ao declarar: "Rice regressa ao Líbano para impor suas condições como parte de seu plano sobre o Oriente Médio".

A proposta americana também foi rejeitada pela França, que não pretende repetir "o exemplo iraquiano".

A formação xiita libanesa conta, além disso, com o apoio da Síria e do Irã, que jogam no Líbano sua própria partida contra os Estados Unidos.

"Se alguém imaginar que se vai criar uma força eficaz sem o acordo de Damasco, nada sabe sobre o Oriente Médio. E se quiserem um favor da Síria, terão que lhe dar algo em troca", estimou Timur Goksel.

A Rússia também fez saber que "qualquer acordo" sobre o Líbano deve "ser coordenado" com todas as partes, "inclusive o Hezbollah".

"Serão necessárias muitas negociações para criar as condições de um fim das hostilidades de forma duradoura", assegurou Nassid Hitti, que disse estar totalmente de acordo com as últimas propostas de Siniora para um "acordo global".

O acordo prevê principalmente que as Fazendas de Shebaa -ocupadas por Israel e que o Hezbollah quer recuperar pela força- sejam colocadas sob a "jurisdição da ONU" e se reative o acordo de armistício firmado pelo Líbano e Israel em 1949.


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