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11/08/2006 - 10h47
Em Israel começa o ajuste de contas políticas por causa da guerra
Por Marius Schattner=(FOTO)= JERUSALÉM, 11 ago (AFP) - Os ajustes de contas políticas começaram em Israel na perspectiva de um cessar-fogo imposto pelas Nações Unidas depois de um mês de guerra contra o Hezbollah libanês que não deu, até o momento, os resultados esperados.
A oposição de direita, que até agora estava alinhada com o governo, voltou nesta semana a seus ataques contra o primeiro-ministro Ehud Olmert, a quem responsabiliza pelas derrotas militares e políticas da campanha.
A imprensa é cada vez mais crítica, a opinião pública cada vez mais cética e, no seio do poder, as fricções começam a aparecer à luz do dia.
"Olmert deve renunciar", escreve um jornalista influente do jornal Haaretz, em um artigo publicado na primeira página do jornal.
"Não há um só erro que Ehud Olmert não tenha cometido. Entrou na guerra com arrogância, sem pensar nas conseqüências. Seguiu cegamente os militares (...) e depois de ter se precipitado no conflito, agora o administra com hesitação", afirma o jornalista Ari Shavit.
O jornal de grande circulação Yediot Aharonot dá, por sua vez, amplo espaço aos questionamentos dos soldados na campanha no sul do Líbano.
"Não se fixou nenhum objetivo claro. Os soldados não têm a mínima idéia do que se esperava deles, enquanto vivem entre rumores. Um dia é preciso atacar Tiro, no outro vão voltar para casa", afirmou ao jornal um capitão da reserva.
"O mais difícil é a incerteza", acrescentou, referindo-se à aprovação, anunciada na quarta-feira, de uma extensão da ofensiva, que desde então não foi implementada de fato.
Segundo duas pesquisas publicadas nesta sexta-feira, os israelenses acreditam cada vez menos em uma vitória sobre o Hezbollah e são cada vez mais críticos diante da condução da guerra no Líbano.
Para 43% dos israelenses não haverá vencedores ou vencidos se os combates pararem agora. Para 30%, Israel não terá vencido e apenas 20% acreditam que o Estado hebreu terá saído vitorioso, segundo a consulta.
Quarenta e oito por cento dos entrevistados se disseram satisfeitos com a condução da guerra pelo primeiro-ministro contra 40% de descontentes.
Representantes da oposição de direita advertiram nesta sexta-feira contra uma aceitação do cessar-fogo imposto pelas Nações Unidas.
"O resultado seria calamitoso pois o Hezbollah aproveitaria para voltar a se armar, o significa que no mais, a guerra será adiada por alguns anos e não será só o norte de Israel que estará sob a ameaça dos foguetes, mas todo o país", comentou na rádio o deputado do Likud, Sylvan Shalom, ex-ministro das Relações Exteriores.
"Se o cessar-fogo for aceito, o governo deverá renunciar pois terá dado uma vitória sem precedentes ao Hezbollah e a todos os que reivindicam a destruição de Israel", insistiu o deputado Yuval Steinitz do mesmo partido.
Por outro lado, o governo enfrenta a crítica da oposição de esquerda - muito mais frágil que a da direita -, para a quem a ofensiva deve se deter, levando em conta o alto número de vítimas civis israelenses e libanesas.
No seio do próprio governo, graves diferenças apareceram durante o debate do gabinete de segurança na quarta-feira, entre os partidários de uma linha dura apoiada pelo exército e outra mais moderada.
Em outro sinal de mal-estar, a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, que devia viajar para Nova York no âmbito das discussões de um cessar-fogo, teve que voltar atrás, sem maiores explicações, por decisão de Olmert.
Rejeitando as críticas, o ministro da Justiça Haim Ramon, avaliou que Israel obteria o essencial de suas reivindicações para uma solução para a crise no Líbano se as propostas elaboradas por Paris e Washington fossem adotadas pelas Nações Unidas.
"O objetivo essencial que buscávamos, o alcançamos: distanciar a ameaça dos foguetes na fronteira norte de Israel", disse Ramon, próximo do primeiro-ministro. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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