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 Internacional

15/08/2006 - 17h31
Milhares de libaneses retornam a sua terra

Por Anne CHAON=(INFOGRAFIA+FOTO)= BEIRUTE, 15 ago (AFP) - O segundo dia da trégua entre o Hezbollah e Israel, que registrou apenas alguns combates de pouca intensidade, permitiu nesta terça-feira o retorno gradativo de um milhão de libaneses deslocados devido ao conflito. Isto representa um quarto da população do país.

Na única região problemática, o sul do Líbano, o Exército israelense disse ter matado "em situação de legítima defesa" pelo menos três combatentes do Hezbollah que se aproximavam demais de uma de suas posições.

A trégua, decretada após 34 dias de uma guerra que devastou o Líbano, parecia ainda frágil, pois o partido xiita proclamou na segunda-feira a recusa em se desarmar imediatamente e o Estado hebreu expressou a vontade de perseguir os milicianos "em todos os lugares e o tempo todo".

Já o Irã, condenado pelo presidente americano George W. Bush por seu apoio ao Hezbollah, ameaçou lançar mísseis sobre Tel-Aviv se Israel e os Estados Unidos o atacarem.

Os combates foram suspensos na segunda-feira às 08h00 (02h00 de Brasília), em virtude do acordo negociado pela ONU com Israel e Líbano após a adoção da resolução 1701 do Conselho de Segurança.

De acordo com o Exército israelense, dez foguetes foram disparados contra algumas de suas posições no sul do Líbano na noite de segunda para terça-feira sem deixar vítimas ou estragos, mas este episódio não foi confirmado pela Força das Nações Unidas no Líbano (Finul).

Encorajados pela trégua, milhares de libaneses retornavam para suas casas em uma maré de veículos. As estradas que ligam Beirute ao sul do Líbano e ao porto de Tiro estavam obstruídas em diversos pontos nesta terça-feira.

Desde uma hora da manhã, uma fila interminável de carros, caminhões e furgões repletos passava devagar por um posto de controle sobre o rio Litani, que abre caminho para Tiro.

A saída sul de Sidon estava engarrafada pelos milhares de veículos que rumavam em direção a Tiro ou para o sudeste, em direção a Nabatiyeh.

No leste do país, o tráfego também era lento nas proximidades do posto de Masnaa, na fronteira com a Síria, na cidade de Chtaura, no Vale do Bekaa.

O coordenador de Assuntos Humanitários da ONU, Jan Egeland, considerou, em entrevista nesta terça-feira ao jornal russo Kommersant, que a situação humanitária no Líbano "está próxima da catástrofe" e afirmou que Israel "teria feito melhor se tivesse pensado" antes de bombardear civis.

A ajuda humanitária chegava ao sul Líbano, mas era atrasada pelas ondas de refugiados que retornavam para suas casas e pela manutenção de um bloqueio naval israelense, informaram as agências da ONU.

O primeiro-ministro libanês Fuad Siniora pediu aos seus subordinados que enviem "incessantemente ajuda financeira às famílias das vítimas da agressão israelense". Seu governo está envolvido em uma corrida contra o Hezbollah que começou, a partir desta terça-feira, a propor ajuda aos deslocados que perderam as casas nos bombardeios israelenses.

O ministro francês das Relações Exteriores Philippe Douste-Blazy partiu nesta terça-feira à noite para Beirute para discutir principalmente as "condições da mobilização de uma Finul reforçada", anunciou seu Ministério. Ele discutirá também a questão da reabertura dos portos e dos aeroportos e as condições de distribuição de ajuda humanitária.

As Nações Unidas esperam que os primeiros soldados da Finul reforçada cheguem ao sul do Líbano "daqui a dez dias", ressaltou o chefe das operações de manutenção da paz da ONU, Jean-Marie Guéhenno, em entrevista a uma rádio francesa.

O Exército libanês deverá começar a se deslocar "dentro dos próximos dias" até a fronteira israelense, afirmou à AFP uma autoridade militar. "Este deslocamento deve permitir que a autoridade do Estado se estenda sobre todo o território libanês" conforme a resolução 1701, informou esta autoridade.

O Exército israelense manteve nesta terça-feira a retirada de algumas de suas tropas do Líbano, segundo um porta-voz militar israelense que se negou a precisar a magnitude desta movimentação e a data prevista para o fim da retirada.

O presidente dos Estados Unidos George W. Bush comentou a trégua na noite de segunda-feira, denunciando o Hezbollah, assim como seus aliados Irã e Síria, responsabilizando-os por uma guerra que fez parte de um "combate mais amplo em toda a região entre a liberdade e o terrorismo".

Um importante religioso conservador iraniano afirmou que Tel-Aviv seria "alvo de mísseis iranianos" se os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã.

"Os mísseis (de alcance) de 70 km do Hezbollah transformaram Israel em um país de fantasmas (...) Se eles (Estados Unidos e Israel) querem agredir o Irã, devem temer o dia em que nossos mísseis de 2.000 km (Shahab-3) atingirem o coração de Tel-Aviv", declarou o clérigo Ahmad Khatami.


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