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18/08/2006 - 08h51
Exército libanês amplia mobilização no sul; ONU busca tropas para a região
Por Sammy Ketz - KHIAM, Líbano, 18 ago (AFP) - O Exército libanês deu prosseguimento nesta sexta-feira ao deslocamento pelo sul do Líbano, à espera dos reforços internacionais que a ONU, consciente da fragilidade da trégua na região, tenta com muita dificuldade conseguir com urgência.
Na manhã desta sexta-feira, caminhões e unidades blindadas de transporte de tropas chegaram a Khiam, uma cidade ao leste do sul do Líbano, a sete quilômetros da fronteira com Israel, onde foram travados violentos combates entre milicianos xiitas do Hezbollah e militares israelenses.
Na quinta-feira, milhares de soldados libaneses chegaram ao sul do país, região que não contava com a presença do Exército há 38 anos. Os oficiais assumiram posições em dezenas de vilarejos ao longo da fronteira.
Ao mesmo tempo, as tropas israelenses se retiravam gradualmente das zonas conquistadas em um mês de ofensiva contra os combatentes do Hezbollah, para entregar o controle à Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul).
O retorno de 15.000 soldados libaneses ao sul do país, e a presença da Finul estão previstas na resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. A aprovação do texto, no dia 11 de agosto, acabou com a guerra iniciada em 12 de julho.
Segundo a resolução, a Finul, que existe desde 1978 e conta atualmente com 2.000 homens, será substituída por uma nova versão reforçada de 15.000 homens e um mandato ampliado.
Após uma reunião de três horas em Nova York com os representantes de 49 países que ofereceram contribuição, o subsecretário-geral da ONU, Mark Malloch Brown, afirmou que a organização recebeu ofertas de tropas para a futura força, mas que as mesmas não haviam conseguido reunir a vanguarda de 3.500 homens que as Nações Unidas desejam enviar o mais rápido possível.
Segundo um diplomata que pediu anonimato, Bangladesh, Indonésia, Malásia e Nepal propuseram o envio de pelo menos um batalhão cada. A Dinamarca teria oferecido dois navios de guerra.
Itália, Espanha, Egito, Marrocos e Bélgica informaram que analisavam a situação antes de um compromisso oficial. Na manhã desta sexta-feira, o governo de Roma aprovou o envio de oficiais ao Líbano, mas a medida precisa ser aprovada pelo Parlamento.
Malloch Brown afirmou que a ONU considera a Finul ampliada uma força mais intensa e bem equipada, mas não ofensiva.
A ONU propõe regras de funcionamento que prevêem o uso da força para impedir a utilização da futura zona de deslocamento da Finul com objetivos hostis e para ajudar o governo libanês a garantir a segurança em suas fronteiras e outros pontos de entrada. "A Finul estará na região para manter a paz até a aplicação de uma solução política de longo prazo, pois a chave da resolução deste conflito não é militar e sim política", acrescentou.
A França, com a qual a ONU contava como base essencial da força, ofereceu 200 homens como reforço de emergência, que se somarão aos 200 capacetes azuis franceses da atual Finul, número muito inferior às expectativas das Nações Unidas.
A França também se comprometeu a manter como apoio os 1.700 homens da operação Baliste, iniciada em julho para a repatriação dos franceses que moram no Líbano.
Cinco dias depois do início da trégua, os refugiados e os comboios militares prosseguiam em seu fluxo para o sul do Líbano.
Quase um milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito, dentro do Líbano e além de suas fronteiras. Desde segunda-feira, centenas de milhares de civis iniciaram a viagem de retorno.
No entanto, a recusa do Hezbollah de entregar as armas ao Exército libanês provoca inquietação entre os outros partidos.
O druso Walid Jumblatt, um dos líderes da maioria anti-síria, insistiu na idéia de incorporar os combatentes da milícia xiita ao Exército nacional para evitar um novo conflito com Israel.
O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, não aceita que a idéia de desarmar seus homens seja adotada de maneira precipitada e sob pressão de outros partidos.
Na quinta-feira, Washington recordou que o governo libanês havia assumido o compromisso de desarmar o Hezbollah, descartando a possibilidade de que Beirute descumpra sua palavra.
O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse acreditar na determinação do governo do Líbano de respeitar este compromisso, mas destacou que a administração americana não espera resultados de um dia para outro. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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