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20/09/2006 - 15h43
Fóssil de "filha" da australopiteco Lucy é achado na Etiópia, diz revista

AFP

Cientista mostra o crânio do bebê australopiteco

Cientista mostra o crânio do bebê australopiteco

Por Vilem Bischof

PARIS, 20 set (AFP) - O esqueleto excepcionalmente preservado de um bebê australopiteco, bípede e que trepava em árvores, morto aos três anos há 3,3 milhões de anos, foi descoberto no nordeste da Etiópia, anunciou uma equipe científica na edição de quinta-feira da revista científica "Nature".

Estes fósseis, que vão do crânio aos ossos dos pés, passando pelas falanges, fragmentos de tíbias e de costelas e um raríssimo hióide (osso da garganta), foram descobertos no sítio arqueológico de Dikika, situado na margem direita do rio Aouache. Este lugar é próximo de Hadar, que se tornou conhecido por ser o sítio onde, em 1974, foi encontrado o esqueleto do célebre australopiteco Lucy.

Segundo o paleoantropólogo etíope Zeresenay Alemseged, do Instituto Max Planck de antropologia evolutiva de Leipzig (Alemanha), e seus colegas americanos e franceses, o bebê, provavelmente do sexo feminino, pertence à mesma espécie de Lucy, Australopithecus afarensis (Australopiteco de Afar). Pelos dentes, estima-se que tenha morrido com cerca de três anos.

Esse esqueleto quase completo é considerado único, tanto por seu estado de conservação quanto pelas partes anatômicas até então desconhecidas nos australopitecos em geral e num indivíduo jovem em particular.

"O pé e outras partes dos membros inferiores indicam claramente uma locomoção bípede, enquanto que a omoplata é parecida com a de um gorila e as falanges das mãos, longas e curvadas (típicas dos grandes símios trepadores) suscitam novas questões sobre a importância da habilidade arborícola no repertório locomotor do Australopithecus afarensis", concluíram os cientistas.

O estudo do paleoambiente da localidade onde foi descoberta a "filha" de Lucy, uma "boneca" de cerca de 40 cm - mais antiga do que sua mãe simbólica em duas centenas de milhares de anos -, revelou que ela vivia numa savana arborizada e cercada pelos deltas de pequenos rios.

"Esta combinação ambiental permitiu o transporte e o enterro rápido do esqueleto, evitando que este último fosse devorado pelos abutres", comenta o co-autor francês do estudo, Denis Geraads (CNRS).

Muito frágeis, os restos dos jovens hominídeos raramente se fossilizam. Até hoje, os esqueletos mais antigos de escala comparável provinham de neanderthais de menos de 10 mil anos. Mas o bebê de Dikika não é a primeira criança de australopiteco conhecida. A primeira, da qual apenas o crânio "sobreviveu", foi encontrada em 1924 numa pedreira calcária em Taung, na África do Sul. Foi este fóssil que permitiu ao anatomista Raymond Dart descrever - também na "Nature" - um intermediário entre macacos e homens, batizado de Australopithecus africanus ("macaco africano do sul").

A comunidade científica recebeu a "criança de Taung" com ceticismo, vendo nela um vulgar macaco pré-histórico. Durante décadas, vários esqueletos de australopitecos de espécies variadas foram descobertos na África e associados à linhagem humana, antes de exames mais sofisticados revelarem semelhanças com primatas não-humanos.

A "criança de Dikika" ainda não foi completamente separada do sedimento. "Teremos de esperar alguns anos antes de sua descrição detalhada, que deverá melhorar nossos conhecimentos sobre o crescimento dos australopitecos", destaca Denis Geraads. O pesquisador explicou, no entanto, que os ossos já estudados "são impressionantemente mais próximos" daqueles dos grandes macacos do que dos do homem.

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