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 Internacional

06/11/2006 - 11h47
Nível de corrupção piora no Brasil, segundo a Transparência Internacional

Por Deborah Cole

BERLIM - O Brasil está entre os países que registrou uma piora significativa nos níveis de corrupção, afirmou a Transparência Internacional (TI) em seu informe 2006 publicado nesta segunda-feira, em Berlim.

Além do Brasil (70ª colocação, com uma nota média entre 3,1 e 3,6), o nível de percepção da corrupção se deteriorou principalmente em Cuba, Israel, Tunísia e nos Estados Unidos, que retrocederam em suas posições em relação à última pesquisa.

Por outro lado, a TI registrou progressos em Argélia, República Tcheca, Índia, Japão, Letônia, Líbano, Ilhas Maurício, Eslovênia, Turquia e Turcomenistão.

Haiti, Mianmar (antiga Birmânia) e Iraque são outros países onde a corrupção está mais arraigada, de acordo com o relatório, que confirma a ligação entre o hábito de burlar as leis e o fraco desenvolvimento da economia de um país.

A presença de um trio de países ricos (Finlândia, Islândia e Nova Zelândia) à frente da classificação mostra também a relação dos esforços de luta contra a corrupção e a prosperidade econômica.

"A corrupção é ainda uma realidade difícil no século 21, que prejudica a vida de milhões de pessoas", afirmou a presidente da organização, Huguette Labelle. De acordo com o Banco Mundial, "trilhões de dólares são perdidos com a corrupção a cada ano no mundo", acrescentou.

A classificação 2006, que analisou 163 países, situa os países em uma escala que vai de 0 (muito corruptos) a 10 (sem corrupção) com base em pelo menos três pesquisas e em relatórios de instituições independentes. Isto explica o motivo de vários Estados - e isso envolve aqueles considerados como os mais corruptos do mundo - não estarem na lista, informou a ONG. Países como o Afeganistão ou a Libéria ainda não fazem parte da classificação.

A China está na primeira metade (70º), enquanto que a Rússia está muito mal posicionada (121º).

A corrupção é maior no Haiti (1,8), último da lista, atrás de Birmânia, Iraque e Guiné (1,9). No ano passado, o Chade fechava a lista, atrás de Bangladesh e Turcomenistão.

O relatório "não quer dizer que o Haiti seja o 'país mais corrupto'", ressaltou a TI, mas mostra a incapacidade das autoridades políticas em controlar e impedir a corrupção.

Quanto ao Iraque, Labelle sugeriu que sua colocação reflita a considerável atenção dada ao país desde a intervenção internacional em 2003 e às somas consideráveis investidas na reconstrução.

Mas a violência e o caos atuais ainda impedem as tentativas de fechar contratos de reconstrução mais transparentes, lamentou o diretor executivo da TI, David Nussbaum.

"Em razão do conflito crônico neste país, poderíamos dizer que as medidas para promover a integridade não funcionam", frisou.

Finlândia, Islândia e Nova Zelândia, que já estavam no pódio no ano passado, ficaram com uma pontuação quase perfeita (9,6). Eles estão seguidos pela Dinamarca (9,5), por Cingapura (9,4), pela Suécia (9,2) e pela Suíça (9,1). A Alemanha está em 16o (8,0), enquanto a França divide com a Irlanda o 18o lugar (7,4), como em 2005.

Segundo a TI, a corrupção continua generalizada com cerca de três quartos dos países estudados com uma nota inferior a 5, em que quase todos são pobres. Apenas dois africanos (Ilhas Maurício e Botswana) estão na média.

Para a ONG, o problema continua sendo os "facilitadores da corrupção", que ajudam as elites políticas a lavar dinheiro ou proteger os bens ilegalmente adquiridos.

"A corrupção exige a existência de um banqueiro, um contador, um advogado ou um outro especialista pronto para ajudar a transferir ou manter as somas ilegalmente adquiridas", explica a TI.

"Sem eles, a corrupção em grande escala seria impossível", afirmou Nussbaum.


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