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 Internacional

17/03/2007 - 18h05
Pacifistas protestam em Washington e no mundo contra a guerra no Iraque

WASHINGTON, 17 mar (AFP) - Dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestação em Washington neste sábado para pedir o fim da guerra no Iraque, quatro anos após a invasão deste país, durante "marcha em direção ao Pentágono" para tentar reviver a de 1967 contra a guerra do Vietnã, constatou uma jornalista da AFP.

Mais de 50.000 pessoas, segundo os jornalistas americanos no local - a polícia recusou-se a dar estimativas - deixaram no início da tarde o centro da capital, não longe da Casa Branca, para se dirigirem ao Pentágono, em meio a muito frio.

Antes da saída da passeata, uma contra-manifestação reuniu ex-combatentes da guerra do Vietnã e suas famílias, vestidos com roupas de couro preto. Eles marcharam até a esplanada em torno do monumento da guerra do Vietnã, atendendo a convocação do "Gathering of Eagles" (Agrupamento das Águias).

O quarto aniversário da invasão do Iraque, ocorrida no dia 20 de março 2003, é lembrado nos Estados Unidos com uma série de manifestações pacifistas que começaram na noite de sexta-feira em Washington, a pedido da organização religiosa Christian Peace Witness for Iraq, principalmente em frente à Casa Branca. Dezenas de pessoas foram detidas.

O auge dos protestos acontece neste sábado, com "dezenas de milhares" de pessoas na capital federal, vindas de mais de 150 cidades, segundo Bill Hackwell, porta-voz da Answer (Act Now to Stop War and End Racism), grupo que pretende realizar uma "marcha para o Pentágono".

"É o 40o aniversário da manifestação contra a guerra do Vietnã, que mudou o curso dos acontecimentos e esperamos poder fazer o mesmo hoje", disse à AFP Alan Pugh, 27 anos, de Cleveland (Ohio, norte), estudante.

Gritando "USA", os manifestantes pró-guerra rasgaram, arrancaram e cuspiram nos cartazes dos pacifistas que pediam o fim da guerra. "Os esquerdistas encorajam o inimigo", estava escrito em um cartaz dos partidários da guerra, em meio a uma maré de bandeiras americanas.

Os pacifistas "não sabem o que fazem. Eles fazem mal aos nossos soldados", disse à AFP um dos partidários da guerra que solicitou o anonimato.

Diante da manifestação em favor da guerra no Iraque, os pacifistas exibiram uma grande faixa branca proclamando: "Estados Unidos fora do Iraque".

"Espero que esta manifestação informe as pessoas sobre o que acontece porque a imprensa hoje é nossa aliada", disse Krystal Warnock, 17 anos, de Cleveland, estudante.

Pacifistas saíam de um ônibus fretado pela organização "Ex-combatentes pela Paz", e que levava a inscrição "Não ataque o Irã".

Um caixão estava coberto pela bandeira americana. Um uniforme e botas de soldado foram dispostos a seu lado.

Um alto-falante tocava a todo volume músicas que iam do blues, ao reggae, passando por melodias orientais e salsa, fazendo com que os slogans dos pró-guerra não pudessem ser bem ouvidos.

Diante do Pentágono, diversas personalidades fizeram pronunciamentos, como Cindy Sheehan, figura eminente do movimento antiguerra, cujos filhos foram mortos em combate no Iraque.

A Answer organizou, também neste sábado, manifestações em São Francisco e Los Angeles (Califórnia, oeste).

No domingo, a United for Peace and Justice organiza uma manifestação em Manhattan.

E na segunda-feira, a MoveOn lança a operação "vigília": homens e mulheres se reunirão com velas, em Washington e em todo o país.

Em março de 2006, a mobilização pacifista foi fraca, mas no final de janeiro, os opositores à guerra se mobilizaram em grande número para pedir ao Congresso - no qual os democratas obtiveram a maioria - que votasse pelo fim da guerra.

Na Grécia, centenas de pessoas foram às ruas de Atenas e de Salônica neste sábadopara exigir "o fim da ocupação".

Reunidos na praça central de Syntagma, os manifestantes assistiram a um concerto iniciando em seguida uma passeata em direção à embaixada dos Estados Unidos, a dois quilômetros do centro da cidade, acompanhada pelas forças da ordem.

"Não à guerra" dizia uma faixa levada por integrantes da seção grega do Fórum social.

Em seguida, vinha um grupo de imigrantes asiáticos residentes na Grécia com outra faixa "Não à islamofobia" escandindo slogans antiamericanos.

Em Istambul, cerca de 6.000 pessoas participaram de manifestação também para protestar contra a "ocupação" americana.

Reunidos em Taksim, na parte européia da maior cidade turca, cerca de 3.000 pessoas, dentre as quais vários militantes do Partido Comunista (TKP), protestaram contra a "ocupação" do Iraque, país vizinho à Turquia, pelas forças americanas.

"Fora EUA" ou "Parem a ocupação", eram as frases estampadas nos cartazes exibidos pelos manifestantes.

Outros cerca de 3.000 manifestantes se reuníram ao mesmo tempo no lado asiático da cidade, a pedido de uma organização pacifista.

"Bush, saia do Iraque", "Somos todos iraquianos", "Não à guerra", proclamavam os cartazes.

A Turquia se opôs em 2003 à passagem das tropas americanas em seu território, impedindo a abertura de uma segunda frente no norte deste país.

A oposição à guerra no Iraque é quase uma unanimidade em meio à opinião pública turca.

Na Espanha, manifestações aconteciam em várias cidades, entre elas Madri e Barcelona, Saragossa e Valladolid.

Em Madri, a plataforma cidadã Foro Social (30 organizações sociais e sindicais), convocou manifestação com o slogan "Pela paz, não à guerra, não à violência, pelo fim da ocupação do Iraque e pelo fechamento de Guantánamo".

A marcha foi apoiada pelo Partido Socialista (no poder na Espanha), pelos comunistas da Esquerda Unida e os dois grandes sindicatos UGT e Comissões Operárias.

Em Copenhague, centenas de pessoas se reuniram diante da embaixada americana para protestar contra a participação da Dinamarca na guerra no Iraque.

Em Praga, as manifestações de 150 pessoas foram dirigidas contra a guerra no Iraque e contra a instalação, em solo tcheco, de um radar antimíssil americano. Em Paris, militantes da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) se reuniram ontem à noite para sensibilizar os franceses sobre a situação dos jornalistas no Iraque, onde 153 profissionais da imprensa morreram em quatro anos.

Nas ruas, 153 militantes, vestidos de preto em sinal de luto e com o rosto coberto por máscara branca, levavam uma faixa com a inscrição : "Iraque : 153 jornalistas mortos em quatro anos. E se fosse na França?".

"Quando nos mobilizamos por Florence Aubenas, todos foram às ruas. Hoje, jornalistas são mortos todas as semanas no Iraque ante a indiferença geral porque são iraquianos", declarou o secretário-geral da RSF, Robert Ménard.

Florence Aubenas, ex-jornalista do Libération, foi liberada em 11 de junho de 2005 após 157 dias de cativeiro no Iraque.


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