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 Internacional

17/04/2007 - 07h52
Polícia investiga motivação do pior massacre em uma universidade americana

Por Jocelyne Zablit BLACKSBURG, EUA, 17 abr (AFP) - A polícia americana tentava nesta terça-feira desvendar os motivos que levaram um homem armado a matar 32 pessoas, antes de cometer suicídio, na Universidade Virginia Tech, em Blacksburg, em meio à comoção e revolta dos Estados Unidos diante de um novo capítulo trágico de sua história.

Sentimentos de histeria, ira, espanto e estupor se mesclavam na área da Universidade Tecnológica, na Virginia, 425 km ao sudoeste de Washington, enquanto os policiais se esforçavam para reconstituir o crime e descobrir a causa da matança.

Ainda restavam muitas perguntas sem respostas, em particular a respeito do atirador, que segundo testemunhas tem aparência asiática.

Além disso, a polícia ainda precisa confirmar a relação entre os dois ataques que mudaram para sempre a história desta prestigiosa universidade e da pequena cidade que a cerca.

No primeiro ataque, acontecido às 7H00 locais, um homem matou duas pessoas no alojamento estudantil Ambler Johnston. Duas horas mais tarde, no edifício Norris Hall, com salas de aula, um segundo ataque deixou 31 mortos, incluindo o atirador.

"Estamos trabalhando intensamente para determinar se os dois incidentes estão relacionados", disse o chefe de polícia do campus, Wendell Flinchum.

O presidente George W. Bush afirmou na segunda-feira que estava chocado com o ataque.

A tragédia reabriu as feridas deixadas pelo caso da escola Columbine, no Colorado, que afetou profundamente o país. Em 20 de abril de 1999, dois estudantes assassinaram 12 colegas e uma professora antes de cometer suicídio neste centro educacional da cidade de Littletown. O ataque de segunda-feira só não supera um de 1927, quando um homem explodiu uma escola de Michigan, matando 38 alunos e sete professores.

O FBI informou que não existem indícios de que o tiroteio tenha sido um ato terrorista. "Nada indica que isto seja um ato terrorista. No entanto, qualquer hipótese será objeto de investigação", declarou Richard Kolko, porta-voz da polícia federal americana.

Já na noite de segunda-feira a revolta tomou conta da universidade, com estudantes e pais acusando a reitoria de não ter alertado a tempo a presença do assassino no campus, o que teria evitado o segundo ataque e a perda de tantas vidas.

"Houve uma longa pausa entre o primeiro incidente e o segundo, no qual morreram 31 pessoas, incluindo o atirador. Eu não consigo entender", disse o estudante John Reaves, de 22 anos.

As bandeiras já estavam a meio pau no estado e mais detalhes sobre a matança devem ser divulgados durante uma entrevista coletiva prevista para as 9H00 locais (10H00 de Brasília).

Na segunda-feira, a polícia anunciou que o primeiro tiroteio pareceu motivado por um problema "doméstico". Por isso, as autoridades decidiram não fechar a universidade, explicaram oficiais.

De acordo com vários estudantes, o atirador tinha aparência asiática e estava vestido com um traje de combate negro. A polícia não prendeu ninguém relacionado ao crime até o momento, mas anunciou ter interrogado uma pessoa que poderia ter informações.

Duas armas foram recuperadas e as análises balísticas poderão confirmar se os tiroteios estão conectados, acrescentou a polícia local.

Os hospitais da região receberam pelo menos 21 feridos. Alguns foram atingidos por tiros e outros se jogaram pelas janelas em uma tentativa de escapar do atirador, que havia trancado as portas.

A Universidade Virginia Tech tem 26.000 alunos que estudam em cursos de todo tipo, mas basicamente científicos, e está encravada em uma imensa área de mais de mil hectares.

As aulas foram suspensas até quarta-feira. Nesta terça-feira, a universidade será palco de uma cerimônia de luto.


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