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 Internacional

17/04/2007 - 15h07
Como funciona a mente de um assassino em série

Por Mira Oberman CHICAGO, EUA, 17 Abr (AFP) - Não se sabe muito sobre o autor do maior massacre já feito em uma instituição de ensino dos Estados Unidos, mas os responsáveis por crimes desse tipo são, normalmente, seres solitários e incapazes de enfrentar uma perda ou um fracasso, afirmam especialistas.

O perfil mais comum destes assassinos é o de um indivíduo "sozinho, recluso e anti-social", disse à AFP Alan Langlieb, diretor de psiquiatria do trabalho da universidade Johns Hopkins.

Do assassino de Norris Hallm - um dos prédios da universidade Virgínia Tech, onde ele matou mais de 30 pessoas antes de se suicidar - só se conhecia, a princípio, o relato das testemunhas. Diziam que era grande, de tipo asiático, metódico e decidido. Logo se soube que se chamava Cho Seuing-Hui e vinha da Coréia do Sul.

Quando se pergunta a Alan Langlieb o que pode fazer com que alguém cometa um crime desta natureza, ele diz simplesmente: "Não há resposta".

"Não se sabe ao certo o que é o que se passa na mente dessas pessoas", diz o especialista, afirmando que a conduta humana é demasiadamente complexa para dar uma resposta simples.

"Às vezes é premeditado, mas alguém pode acordar um dia de manhã e dizer: 'Vou causar estragos na sociedade'", acrescentou.

São poucos os que são tão indiferentes à vida humana para cometer atos de violência tão terríveis. A maioria dos que pensam a respeito nunca seriam capaz de realizar o ato em si, afirma Langlieb.

Às vezes um fato aparentemente sem importância pode fazer despertar o mecanismo fatal em alguém socialmente isolado que quer enviar uma mensagem a uma sociedade contra a qual sente raiva.

"Um mau dia - com boas armas e uma boa convergência de acontecimentos pode acabar em uma catástrofe", advertiu Langlieb.

O serviço secreto, que se ocupa em especial da segurança do presidente de Estados Unidos, estudou 37 casos de violência em instituições de ensino americanas entre 1974 e junho de 2000. O estudo concluiu que "não há um perfil certo" dos estudantes que agem assim.

Entretanto, a pesquisa mostra que apenas um pequeno número destes assassinos estava em situação de fracasso escolar e quase dois terços nunca tiveram problemas na escola, nem mostraram qualquer mudança em seu rendimento ou em sua rede de amigos.

Cerca de 40% destes assassinos eram considerados normais e se confundiam com os demais alunos. Um terço era solitário e um quarto pertencia a algum grupo problemático.

Um terço dos atacantes se sentia perseguido e, sobretudo, se mostrava incapaz de enfrentar "uma perda de algo importante ou um fracasso pessoal", diz o informe; 98% devem ter passado por uma situação deste tipo antes de promover o ataque.

Segundo a investigação do Serviço Secreto, estes ataques são normalmente premeditados com cuidado e não é raro que seus assassinos tenham falado sobre o plano antes de pô-lo em prática.

Uma investigação similar do FBI mostra que os assassinos em série exibem alguns sinais comuns, como obsessão pela violência, dificuldades em dominar a raiva ou em enfrentar certas situações, como depressão ou falta de tolerância e confiança nos companheiros.

"A sociedade pode fazer mais em matéria de prevenção para ajudar e sustentar às pessoas que têm este problema, mas isso não quer dizer que um ambiente estressante vá necessariamente fazer com que se cometam estes atos de violência", afirma Langlieb.

"As pessoas se tornaram mais enraivecidas com o passar dos séculos, mas agora isto se manifesta de maneira diferente. Não é tanto o ambiente o que conta, mas sim a maneira com que se lida com o estresse", acrescenta.


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