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26/04/2007 - 16h17

Stephen Hawking deixa de lado a cadeira de rodas para experimentar a gravidade zero

CABO CAÑAVERAL, EUA, 26 abr (AFP) - O astrofísico britânico Stephen Hawking, que passou a vida refletindo sobre a gravidade no Universo, se preparava nesta quinta-feira para deixar de lado a cadeira de rodas e flutuar por alguns minutos em gravidade zero nos céus na Flórida.

"Estou em cadeira de rodas há quase quatro décadas. A oportunidade de flutuar livremente, sem gravidade, será maravilhosa", disse Hawking, de 65 anos, que está quase totalmente paralisado por causa de uma doença degenerativa e depende de um computador e de um sintetizador para falar.

O cientista se preparava para embarcar, no Centro Espacial Kennedy, em um avião Boeing 727-200 adaptado, de paredes acolchoadas que, voando em parábolas como uma montanha-russa, produz períodos de ausência de gravidade.

"É muito especial para mim voar com ausência de gravidade", disse o cosmólogo, vestido com um uniforme azul, durante entrevista coletiva anterior à decolagem.

"Há tempos quero viajar ao espaço. Um vôo de gravidade zero é o primeiro passo para uma viagem espacial", acrescentou Hawking, que espera, eventualmente, realizar este sonho em 2009 a bordo da nave da "Virgin Galactic", desenvolvida pelo empresário britânico Richard Branson para realizar vôos suborbitais, nos quais o aparelho chega ao espaço, mas não em uma órbita estável.

Quatro médicos e duas enfermeiras acompanharão o cientista a bordo do avião "G-Force One", conhecido popularmente como "vomit comet" (cometa do vômito), devido aos efeitos desagradáveis que os passageiros que se submetem à experiência podem sentir.

A Corporação Gravidade Zero (Zero-G), operadora do avião, normalmente cobra 3.500 dólares por passageiro por um vôo de 90 minutos, mas o catedrático da Universidade de Cambridge viajará de graça, enquanto os outros oito lugares na aeronave foram leiloados, e o dinheiro, destinado a obras de caridade.

Quando o avião decolar, na tarde desta quinta-feira, pilotos especialmente treinados a farão subir em um ângulo de 45 graus até os 10.000 metros de altitude para depois descer, abruptamente, a 2.500 metros, dando aos passageiros 30 segundos de falta de gravidade.

A nave normalmente faz esta manobra uma dúzia de vezes para que os passageiros possam experimentar um total de cinco minutos de vários níveis de ausência de gravidade.

Não se informou quantas vezes o cientista poderá experimentar a falta de gravidade durante o vôo, mas seu médico pessoal, Edwin Chilvers, disse que ele "vai querer fazê-lo quantas vezes puder".

Hawking, autor do best-seller "Uma breve história do tempo", sobre a origem do Universo e a criação do espaço-tempo, em que também aborda temas mais amplos como a metafísica, viajará sentado durante a decolagem e quando a nave descer, produzindo o efeito de ausência de gravidade, duas pessoas o ajudarão a se levantar e o guiarão no ar, enquanto flutua livremente.

Na quarta-feira, a tripulação da nave fez um vôo de testes com um menino de 14 anos no lugar do cientista.

Os vôos comerciais da "Zero-G" são similares aos que a agência espacial americana (Nasa) realizou nos últimos 40 anos para treinar astronautas.

A "Zero-G" diz que a experiência dentro do avião é similar à de um salto em queda livre antes de se abrir o pára-quedas.

Stephen Hawking disse que com sua experiência quer promover o interesse do público sobre os vôos espaciais, que segundo ele serão importantes para o futuro da humanidade.

"Acho que a raça humana não terá futuro se não voar ao espaço", disse Hawking. "Acho que a vida na Terra está cada vez mais em risco de desaparecer por um desastre como o aquecimento global, a guerra nuclear, um vírus desenvolvido geneticamente ou outros perigos", acrescentou.

Hawking, titular da Cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge - cargo que foi ocupado por sir Isaac Newton - sofre de uma doença degenerativa, a esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada quando ele tinha 22 anos.

A doença o mantém preso a uma cadeira de rodas, mas não impediu que o cientista desenvolvesse trabalhos sobre cosmologia teórica, gravidade quântica, a natureza do espaço e do tempo, a teoria do "Big Bang" e os buracos negros.

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