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 Internacional

20/02/2008 - 17h07
Com saída de Fidel, novos desafios se apresentam em Cuba

HAVANA, 20 Fev 2008 (AFP) - O presidente de Cuba a ser eleito no domingo, muito provavelmente Raúl Castro, deverá encabeçar a transição de gerações, acabar com o marasmo na economia, fazer ajustes políticos e buscar a unidade e o consenso, para garantir a continuidade da revolução.

Em sua mensagem de renúncia à presidência, publicada na terça-feira, o próprio Fidel Castro afirmou que no Parlamento "devem ser adotados acordos importantes para o destino de nossa Revolução".

A respeito dessas iniciativas, que ainda são um mistério, Raúl Castro disse em dezembro que "temos que forjar consensos para determinar o que for mais racional e conveniente" em matéria de medidas a serem executadas.

As reformas econômicas estudadas pelos especialistas das Forças Armadas - comandadas por Raúl - e pelas autoridades civis ainda devem ser sancionadas pelo Parlamento, mas a direção já foi traçada.

"Na nova era que vivemos, o capitalismo não serve nem como instrumento", afirmou Fidel em uma "reflexão", em janeiro, alinhado com as declarações de Raúl em dezembro: as mudanças servirão para "aperfeiçoar nosso socialismo".

O tema mais urgente é a agricultura e a produção de alimentos da ilha, já que, além da alta dos preços internacionais, Raúl falou da urgência de que os avanços "sejam sentidos o mais rápido possível na economia doméstica".

Raúl, que se tornou presidente interino há 19 meses para substituir o irmão Fidel enquanto este se recuperava de problemas de saúde, fez um apelo para que "a terra e os recursos" de Cuba sejam colocados nas mãos daqueles que produzem com eficiência, levantando o debate sobre a propriedade, majoritariamente estatal na ilha, e as implicações políticas que viriam com a passagem para a propriedade privada.

"A agricultura não é uma ilha, o que acontece lá se reflete em outros setores", explicou um economista, enquanto acadêmicos enxergam uma relação estreita entre mudanças econômicas e ajustes políticos.

"A próxima legislatura tem que levar em conta o duplo objetivo de permitir a cada cubano prosperar por seu próprio esforço sem necessariamente sacrificar as conquistas revolucionárias coletivas, além de criar espaços públicos de diálogo e deliberação", disse à AFP Carlos Alzugaray.

A população espera ansiosamente pelas novas disposições, e correm diversos rumores sobre mudanças que eliminem o que Raúl chamou de "excesso de proibições e medidas legais".

"Ninguém aqui é mágico, nem pode tirar recursos de uma cartola", afirmou o governante provisório, apoiado por Fidel ao criticar que "alguns compatriotas esperam milagres".



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