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 Internacional

04/03/2008 - 12h58
Ameaça de guerra causa temor entre colombianos e equatorianos na fronteira

LAGO AGRIO, Equador, 4 Mar 2008 (AFP) - A possibilidade de uma guerra atemoriza colombianos e equatorianos que vivem na selva amazônica e cujas fronteiras reúnem cidadãos de ambos os países.

"Nem Deus quer uma guerra", disse à AFP José Mayorga, um equatoriano que há quatro anos emigrou para Lago Agrio, capital da província limítrofe de Sucumbíos e cenário de um ataque militar colombiano contra as Farc que comprometeu as relações diplomáticas entre os dois países.

"Quem vai querer isso?", acrescentou o motorista que foi morar no núcleo petroleiro do Equador para conseguir um emprego.

"Não, nem pensar! Imagine nós nos matando, isso não é assim", disse Rosalba, uma das milhares de colombianas que se refugiaram no Equador para fugir do conflito em seu país e para quem a fronteira não existe porque "todos são irmãos".

A idéia de que soldados dos dois países se vejam envolvidos em um conflito bélico deixa esta vendedora de quitutes nas ruas de El Coca preocupada.

"Não por favor, que os presidentes dialoguem para solucionar o problema. Vocês não sabem o que é viver uma guerra", acrescentou Rosalba.

O medo é evidente em Lago Agrio, onde vivem colombianos que prosperam a poucos quilômetros da zona de tensão em seu país.

Este lugar está se transformando no centro estratégico para a mobilização de tropas na fronteira por ordem do presidente Rafael Correa, em meio à mais grave crise diplomática com Bogotá.

"Não só os colombianos estão assustados. Parece que todos nós teremos que sair daqui", disse Jorge Rosero, um camponês que se radicou há 15 años na Amazônia atraído pela atividade petroleira na região, onde também há tráfico de drogas e de armas para a guerrilha colombiana.

Rosero também considera que "é preciso deter o presidente (colombiano, Alvaro) Uribe. Há muito tempo não respeita nossa soberania e agora deixou um rastro de mortos", referindo-se aos cerca de 22 guerrilheiros das Farc mortos pelas Forças Armadas colombianas em território equatoriano, incluindo o número dois do grupo Raúl Reyes.

"Correa já disse: sempre procuramos manter a paz com a Colômbia e fomos traídos", enfatizou.

Entretanto, Mayorga apontou que "nota-se uma mobilização militar. Ontem vi botes sendo levados pelo rio San Miguel", que separa Lago Agrio do conturbado departamento colombiano de Putumayo, com presença guerrilheira.

Segundo as autoridades, por volta de 3.200 militares equatorianos estão concentrados em Sucumbíos, ponto mais tenso da fronteira de cerca de 600 km.

O grupo integra uma força de 11.000 soldados que o Equador mantinha em toda a área limítrofe antes do início do conflito diplomático com a Colômbia, que arrisca desencadear um confronto armado.



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