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 Internacional

04/03/2008 - 15h30
Tensão entre Bogotá e seus vizinhos pode beneficiar as Farc, segundo analistas

BOGOTÁ, 4 Mar 2008 (AFP) - O aumento da tensão entre a Colômbia e seus vizinhos Equador e Venezuela pode beneficiar a guerrilha das Farc, que a partir de agora pode utilizar o mínimo incidente para agravar e internacionalizar o conflito entre os três países, segundo especialistas e analistas colombianos.

"A Colômbia deve ser extremamente prudente nesta situação, e não deve cair na armadilha de Hugo Chávez, que quer criar um incidente para entrar em guerra", afirmou nesta terça-feira o general José Bonet, ex-comandante das Forças Armadas da Colômbia.

"O perigo é duplo porque os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), aliadas da Venezuela e que têm interesse em levar o conflito aos países vizinhos, também podem provocar confrontos na fronteira com Caracas", prosseguiu.

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, anunciaram o envio de tropas as suas fronteiras com a Colômbia, em reação à incursão militar colombiana de sábado passado em território equatoriana durante a qual o número dois das Farc, Raúl Reyes, e outros 16 guerrilheiros, foram mortos.

A ex-ministra da Defesa colombiana Marta Lucia Ramirez não escondeu sua preocupação diante do aumento das tensões e das acusações mútuas entre os dirigentes envolvidos.

"A guerrilha vai aproveitar qualquer incidente para provocar uma reação dos militares equatorianos ou venezuelanos", avisou.

"Não podemos subestimar esse risco", sentenciou Ramirez, sugerindo que a ONU ou a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviem observadores às duas fronteiras.

"Estamos muito perto de um incidente bélico, a estratégia das Farc é internacionalizar o conflito colombiano", alertou o ex-guerrilheiro Leon Valencia, atual diretor da Fundação "Novo Arco-Íris", especializada nos conflitos armados.

Para Valencia, as ameaças de guerra proferidas domingo pelo presidente Chávez "têm que ser levadas muito a sério".

Além disso é difícil controlar ao mesmo tempo os 2.219 km de fronteira com a Venezuela e os 586 km com o Equador.

De acordo com o especialista em política Alfredo Rangel, "as Farc têm interesse em estimular um confronto que permitiria desviar a atenção do exército colombiano", que lhes infligiu duras perdas nos últimos meses.

Há vários anos, as Farc utilizam a Venezuela e o Equador como base, e se refugiam freqüentemente nestes países para escapar das operações do exército colombiano.



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