A V Cúpula América Latina-Europa, que contou com a participação de cerca de 50 líderes dos dois blocos, foi encerrada na noite desta sexta-feira, em Lima, com um apelo contra o abismo social e pela integração do desenvolvimento econômico e social com a defesa do meio ambiente.
A assinatura da declaração de Lima encerrou uma árdua jornada, na qual os líderes dos dois blocos dialogaram sobre o aquecimento global e a forma de se chegar a um desenvolvimento sustentável.
O documento final destaca a necessidade de se "promover o bem-estar das populações com sociedades mais inclusivas e integradas, aprofundar a integração regional, e construir um sistema multilateral mais efetivo e democrático".
Os cerca de 50 chefes de Estado e de Governo reafirmaram o compromisso para melhorar a qualidade de vida dos habitantes de seus países através de "políticas sociais efetivas, crescimento econômico com impacto distributivo, e participação social para reforçar a institucionalidade".
A declaração assinala que as políticas sociais devem atender aos problemas de desnutrição e fome, assim como os educacionais, de saúde e de trabalho.
O texto propõe a preservação "das políticas macroeconômicas ordenadas e de um clima seguro para os investimentos, promovendo políticas a favor da plena formalização da economia".
Sobre o meio ambiente, a declaração destaca a "importância de integrar o desenvolvimento econômico e social com a defesa ambiental", assim como "a cooperação na preservação e no manejo sustentável da biodiversidade, bosques, recursos marinhos e água; alem do combate à desertificação e à gestão inadequada de produtos químicos".
O texto propõe ainda "iniciativas para prevenir ou reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa".
Na questão da energia, os líderes latino-americanos e europeus propuseram "ações de cooperação birregional, relacionadas com as fontes de energia limpa e as não-renováveis".
Os representantes da União Européia defenderam a conclusão das negociações de associação da UE com a Comunidade Andina e a América Central, e a retomada das tratativas com o Mercosul.
A declaração destaca a "prioridade política" da conclusão destas negociações, apesar do questionamento de alguns países, como a Bolívia, do esquema de integração, com uma zona de livre comércio.
Até agora, a União Européia só firmou acordos de associação com México e Chile, avançando nas negociações com os países do Caribe.
No texto, também há uma menção ao tema das migrações, que propõe "sobre a base do respeito aos direitos humanos e do princípio da responsabilidade compartilhada, o desenvolvimento de um enfoque que compreenda a importante contribuição dos imigrantes para as sociedades receptoras".
A declaração final defende ainda que se "intensifique a cooperação para prevenir e combater o tráfico ilícito de migrantes, a xenofobia e o racismo".