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05/01/2009 - 10h51

Ofensiva israelense avança, e tropas travam primeiros combates diretos em Gaza

Em Gaza*
No décimo dia da ofensiva israelense na faixa de Gaza, os soldados do Exército travaram os primeiros confrontos diretos com militantes do Hamas nesta segunda-feira na Cidade de Gaza. De acordo com o jornal britânico Guardian, tropas israelenses revistaram casas em busca de militantes do grupo islâmico, e o conflito armado terminou com a morte de ao menos sete crianças palestinas.

CONFLITO EM GAZA

  • Amr Nabil/AP Photo

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No terceiro dia da invasão terrestre, que consistiu na busca e destruição da infra-estrutura terrorista no território palestino, o Exército israelense dividiu a faixa de Gaza em três. Segundo um oficial de segurança, as tropas posicionadas ao norte já completaram a missão e as Forças de Defesa se posicionam para possíveis invasões a áreas urbanas mais populosas da faixa de Gaza.

De acordo com fontes médicas locais, ao menos 537 pessoas já morreram desde o início dos ataques de Israel em 27 de dezembro, e cerca de 200 civis estão entre as vítimas. O Ministério da Saúde palestino estima que ao menos 90 pessoas foram mortas desde que soldados israelenses entraram por terra em Gaza, no sábado. A maioria das vítimas seriam civis que tentavam se proteger em suas próprias casas. O número de feridos já passa de 2.300.

Outras cinco crianças, cujas idades não foram reveladas, faleceram nesta segunda-feira em bombardeios de tanques israelenses no bairro de Zeitun, leste de Gaza, e da Marinha israelense contra o campo de refugiados de Chati, na zona oeste da cidade, segundo o diretor dos serviços de emergências palestinos, Muawiya Hasanein. Outras mortes foram registradas nas cidades de Beit Hanun e Beit Lahya (norte).

Hamas anuncia ataques e "vitória"
No entanto, o líder mais influente do Hamas em Gaza, Mahmud al-Zahar, prometeu nesta segunda-feira a "vitória" do movimento radical islâmico palestino contra Israel, enquanto o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que a cidade de Gaza está parcialmente cercada, no terceiro dia da ofensiva terrestre israelense.

"A vitória está chegando, com a graça de Deus", falou Zahar em um discurso lido no canal de televisão do Hamas, Al-Aqsa, o primeiro dele desde o início da ofensiva em larga escala de Israel em Gaza, no dia 27 de dezembro. O braço militar do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, "deram os mais belos exemplos de confronto com um exército que o mundo acredita ser invencível. Vamos vencer com a graça de Deus", insistiu em um discurso transmitido pela televisão do Hamas, a Al-Aqsa.

A aviação de Israel atacou mais de 30 objetivos na faixa de Gaza na madrugada desta segunda-feira, informou uma porta-voz militar em Tel-Aviv. "Especialmente uma mesquita em Jabaliyah, onde armas eram escondidas, assim como casas onde também eram armazenadas armas, veículos que transportavam lança-foguetes e homens armados", disse a porta-voz.

"As forças terrestres continuaram seu avanço, apoiadas pelos bombardeios de navios da Marinha", acrescentou. O Exército israelense iniciou no sábado à noite uma ofensiva terrestre, entrando na faixa de Gaza controlada pelo movimento radical Hamas. Desde o início da ação, um soldado israelense morreu e 45 ficaram feridos, três deles em estado grave.

Segundo testemunhas, os navios israelenses também bombardearam as principais avenidas do território palestino. Os militares hebreus dividiram em três a cidade de Gaza. As tropas israelenses assumiram posições na antiga colônia de Netzarim pela primeira vez desde a retirada de Israel da faixa de Gaza em 2005. Na região norte, as tropas israelenses avançaram até o campo de Jabaliyah.

Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, declarou na comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, que excepcionalmente não se reuniu a portas fechadas, que Gaza está parcialmente cercada.

As declarações do ministro da Defesa confirmam as descrições de testemunhas, segundo as quais os carros blindados israelenses se encontram no sul, norte e leste da cidade de Gaza.

"Atingimos duramente o Hamas, mas ainda não alcançamos todos os objetivos que fixamos e a operação continua", acrescentou. "Fazemos tudo que um Estado deve fazer para defender seus cidadãos. Queremos que os ataques contra nossos cidadãos e nossos soldados parem", afirmou ainda, precisando que o reabastecimento de armas do movimento islamita deve cessar.

Situação dramática em Gaza
A operação de Israel já matou pelo menos 517 palestinos na faixa de Gaza, onde os tanques israelenses assumiram no domingo o controle de vários eixos estratégicos, enfrentando em alguns pontos os combatentes do Hamas.

A guerra provocou uma importante degradação da situação humanitária, por si só já precária, na região de 362 km2, onde vivem 1,5 milhão de pessoas.

A energia elétrica foi cortada na maior parte e se agrava a carência de combustível. A maioria das lojas está fechada e falta comida nos poucos estabelecimentos ainda abertos.

Um comboio de ajuda humanitária internacional entrou na manhã desta segunda-feira na faixa de Gaza a partir de Israel, segundo o porta-voz do coordenador de atividades israelenses nos territórios palestinos, Peter Lerner.

A ajuda - medicamentos e produtos básicos - procede da Grécia, Jordânia, Egito, de empresas privadas e de organizações humanitárias internacionais, em particular a Agência das Nações Unidas de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), diz ele.

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O porta-voz acrescentou que o terminal de Nahal Oz foi aberto para permitir o envio de 200.000 litros de combustível, destinado principalmente a uma central de energia elétrica de Gaza, assim como 120 toneladas diárias de gás doméstico.

Lerner disse ainda que 200 palestinos com outras nacionalidades - noruegueses, alemães, filipinos, poloneses, romenos, austríacos, espanhóis, franceses e canadenses - serão autorizados a sair da faixa de Gaza pela passagem de Erez.

Por fim, o diretor do serviço de inteligência militar israelense, Amos Yadlin, advertiu para a possibilidade de um ataque do Hezbollah xiita libanês na fronteira Israel-Líbano, informou a rádio militar nesta segunda-feira.

De acordo com Yadlin, citado pela emissora, a milícia xiita libanesa poderia utilizar como pretexto a ofensiva militar israelense iniciada em 27 de dezembro contra o Hamas na faixa de Gaza para abrir "uma segunda frente".

Israel decidiu mobilizar dezenas de milhares de reservistas e os oficiais podem, em parte, ser deslocados para a defesa da fronteira norte do país no caso de ataque do Hezbollah.

Ainda de acordo com a rádio, autoridades militares israelenses descartaram a possibilidade de uma provocação direta do Hezbollah, mas consideram que organizações armadas palestinas presentes no Líbano podem entrar em ação.

FAIXA DE GAZA

  • Arte UOL


*Atualizada às 13h30, com agências internacionais

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