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04/07/2009 - 20h48

Zelaya garante retorno a Honduras e convoca população

CARACAS, Venezuela, 4 Jul 2009 (AFP) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, confirmou que viajará neste domingo a Tegucigalpa, acompanhado de "vários presidentes", e convocou a população para recebê-lo no aeroporto da capital.

"Estou organizando meu retorno a Honduras (...). Vamos nos apresentar no aeroporto internacional de Honduras em Tegucigalpa com vários presidentes, vários membros da comunidade internacional (...). Neste domingo, estaremos em Tegucigalpa", declarou Zelaya ao canal de notícias Telesur, com sede em Caracas.

O presidente pediu a seus seguidores que o acompanhem "sem armas" no aeroporto de Tegucigalpa, e exigiu a saída do atual governo, que chamou de "seita criminosa".

O apelo de Zelaya foi atendido por centenas de manifestantes, que se concentravam na zona do Aeroporto Internacional de Toncontin.

Os manifestantes planejam isolar a pista do aeroporto para garantir a chegada do avião de Zelaya.

Durante a manhã, milhares de pessoas, muitas procedentes do interior do país, ocuparam as ruas do centro de Tegucigalpa para exigir a volta de Zelaya à presidência.

"Queremos Mel", gritavam os manifestantes, que prometem ficar nas ruas da capital até a restituição do presidente.

Os manifestantes pretendiam chegar à Casa Presidencial, mas foram desestimulados pelas centenas de soldados que protegem a zona.

Milhares de partidários de Zelaya estão seguindo para Tegucigalpa, mas a viagem leva dias diante dos bloqueios montados nas estradas pelo Exército.

A Igreja Católica hondurenha rompeu o silêncio que mantinha desde o golpe, no domingo passado, para pedir a Zelaya que não regresse ao país, evitando assim a violência.

O cardeal Oscar Rodríguez advertiu que "um retorno (de Zelaya) ao país neste momento poderá desatar um banho de sangue".

"Sei que o senhor ama a vida, sei que o senhor respeita a vida, e até o dia de hoje não morreu um só hondurenho. Por favor, medite porque depois será muito tarde", insistiu o cardeal Rodríguez.

Já o bispo auxiliar de Tegucigalpa, monsenhor Juan José Pineda, disse que "os bispos concluíram que Honduras segue vivendo na democracia", apesar da queda de Zelaya.

"Nos dirigimos à comunidade internacional para que escute nossa versão. Aqui não houve um morto sequer, a versão do governo anterior sobre um massacre não é verdade".

Na presidência desde janeiro de 2006, Zelaya foi preso por militares e expulso do país no domingo passado, por ter tentado organizar um referendo sobre a possibilidade de um segundo mandato presidencial, medida considerada ilegal pela Suprema Corte.

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